Aproveitar o potencial do Espaço implica uma política de dados abertos
4 de dez. de 2023, 17:21
— Lusa
Ricardo
Conde esteve hoje na 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre
Alterações Climáticas (COP28), que está a decorrer no Dubai, Emirados
Árabes Unidos, num encontro entre líderes das agências espaciais.E
qual o papel das agências espaciais nas alterações climáticas? “A
questão das alterações climáticas é um desafio global e, por isso, a
abordagem tem de ser global. Particularmente, a monitorização tem de ser
global”, resumiu, em declarações à agência Lusa.O
encontro, que reuniu líderes de cerca de 20 agências espaciais,
pretendeu discutir o apoio a uma agenda de cooperação internacional de
combate às alterações climáticas e ajuda às populações afetadas, com
recurso a dados de observação da terra e aplicações espaciais, e foi
precisamente isso que Ricardo Conde foi defender.“O
objetivo é tornar possível a observação do comportamento e interação,
por exemplo, entre os oceanos, a atmosfera, alterações do clima, o
impacto da humidade dos solos”, explicou, referindo que uma constelação
significativa de satélites permite uma observação mais precisa que cria
previsibilidade.O problema é que, apesar de toda a tecnologia disponível, falta a “matéria-prima”, isto é, os dados e a sua disponibilização.“Esse
é o grande desígnio das tecnologias do espaço, criar uma verdadeira
política de dados de observação da Terra”, sublinhou o presidente da
Agência Espacial Portuguesa, referindo que existiu hoje esse
compromisso.Em Portugal, os passos nesse
sentido estão já a ser dados, por exemplo, com o projeto da Constelação
Atlântica, que junta as agências portuguesa e espanhola e que pretende,
até 2025, lançar uma constelação de 16 satélites de observação da Terra.“Quantos
mais satélites, mais resolução temporal temos”, disse Ricardo Conde,
explicando que só dessa forma é que é possível a aproximação a uma
monitorização quase em tempo real.Segundo o
responsável, o projeto conta entretanto também com a adesão do Reino
Unido, Grécia e Angola. “Vai permitir que tenhamos, em Portugal,
capacidade de ter esta política de dados abertos”, sublinhou.Por
outro lado, na relação entre o espaço e as alterações climáticas, o
presidente da Agência Espacial Portuguesa referiu também o problema do
lixo espacial e defendeu a necessidade de uma coordenação internacional,
algo que admite ser muito complexo.Sobre
esse tema, Lisboa vai receber, em maio do próximo ano, a conferência das
Nações Unidas gestão e sustentabilidade das atividades espaciais.