Aprovado na Madeira projeto para alterar "trapalhada" do subsídio de mobilidade
Hoje 11:22
— Lusa/AO Online
“As
alterações criadas são injustas, desnecessárias e não fazem sentido”,
disse o líder parlamentar do PSD, Jaime Filipe Ramos, durante a
discussão desta iniciativa da autoria da maioria social-democrata e
centrista, que foi aprovada com a abstenção do Juntos Pelo Povo (JPP) e
do Chega e os votos favoráveis de PSD, CDS-PP, PS e IL.O
projeto será analisado em sede de especialidade, havendo 20
propostas de alteração, estando a votação final agendada para
quarta-feira.Jaime Filipe Ramos salientou
que as quatro alterações propostas visam estabelecer que a plataforma
criada para os reembolsos tenha já a documentação necessária e que os
residentes nas regiões autónomas tenham de pagar apenas o valor de
referência da viagem (59 euros para estudantes e 79 euros para os
demais).Também pretende que seja alterada a
denominação, visto que a designação de subsídio “leva a equívocos,
sendo no máximo um adiantamento que os residentes nas regiões fazem ao
Estado”, que tem a obrigação de suportar a continuidade territorial.“Estas
alterações passam pela Assembleia da República. A Assembleia
Legislativa da Madeira apenas tem o poder de propor”, vincou o
responsável da bancada do PSD, sublinhando: “Esta lei tem de ser
alterada. Não estamos aqui para branquear os responsáveis”.Pelo
JPP, o maior partido da oposição na assembleia regional (ocupa 11 dos
47 lugares no hemiciclo), o líder parlamentar Élvio Sousa defendeu que
este subsídio foi “transformado num mecanismo de coerção fiscal e
contributiva” e “numa das maiores humilhações ao regime autonómico e uma
afronta ao estatuto político administrativo da Madeira”.No
entender do JPP, o projeto de alteração “não é um diploma visionário, é
um paliativo um pouco amedrontado” e “mais um remendo daquilo que
nasceu torto em 2015”, defendendo que “este é o momento de endireitar de
vez “.Paulo Cafôfo, líder parlamentar do
PS, opinou que o “Governo PSD/CDS na República acabou por prejudicar os
madeirenses”, protagonizando um “ataque à autonomia, tendo mexido no
subsídio para pior”, que teve o executivo regional da mesma coligação
como “cúmplice por inação e incapacidade”.“Enquanto
Miguel Albuquerque [presidente do Governo Regional da Madeira] esperou,
deixou o Luís [Montenegro, primeiro-ministro] trabalhar, fechando as
portas de embarque a quem tem dívidas ao Estado”, argumentou.Para
Miguel Castro, do Chega, “esta situação foi uma trapalhada criada pelo
Governo da República”, que “tem brincado com as regiões”, sendo “um
problema de falta de solidariedade”.O
eleito do Chega sublinhou que este projeto precisa de aprofundamento e
garantiu o apoio da bancada do partido na Assembleia da República.Quanto
ao deputado único da Iniciativa Liberal (IL), Gonçalo Maia Camelo,
opinou que esta iniciativa é “a resposta possível ao disparate do
Governo da República”, que “vai criar um embaraço ao primeiro-ministro”.“É
mais fácil fazer uma escritura de habilitação de herdeiros do que
requerer o subsídio de mobilidade” devido à complexidade de documentos
exigidos. “É como o Tiririca, pior do que está não fica”, ironizou.Já Sara Madalena (CDS-PP) referiu ser “visível e flagrante a trapalhada que foi esta legislação”.Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade garante passagens aéreas entre
a Madeira e continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59
euros para estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade,
até ao teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado
pelas companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.No
caso dos Açores, o valor máximo pago é de 119 euros para residentes no
arquipélago e 89 para estudantes, havendo um limite de 600 euros no
custo elegível da passagem e sendo também necessário pagar primeiro a
totalidade do valor no ato de compra.O
novo regime do subsídio social de mobilidade, que entrou em vigor em 06
de janeiro, impõe a obrigatoriedade de ausência de dívidas ao fisco e à
Segurança Social para aceder ao subsídio de mobilidade, uma norma
entretanto suspensa até 31 de janeiro.