Aprovado apoio extraordinário aos órgãos de comunicação social privados
19 de out. de 2024, 10:27
— Lusa
O decreto legislativo sobre o
regime jurídico do programa de apoio regional extraordinário aos órgãos
de comunicação social privados para este ano foi aprovado por maioria em
votação final global no último dia do plenário deste mês, na Horta, com
votos a favor do PSD (19), PS (19), CDS-PP (dois) e PPM (um) e contra
do Chega (cinco), IL (um) e BE (um).Na
apresentação da proposta, o secretário Regional dos Assuntos
Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, lembrou que os órgãos de
comunicação social privados dos Açores “exercem uma missão de
inquestionável interesse público, cuja importância assume particular
relevância como mediadores para a informação e formação de uma opinião
pública qualificada, tornando-os imprescindíveis como garante da
democracia, com a missão acrescida de unir todos os açorianos e manter
vivas as especificidades próprias de cada comunidade local”.Referiu,
no entanto, que as empresas privadas do setor enfrentam “sérios
problemas que, nos últimos tempos, foram agravados pelo contexto
pós-pandémico, num cenário de guerra na Europa e no Médio Oriente, com o
consequente aumento de custos das matérias-primas, de subida de taxas
de juro e o aumento das rendas”. Segundo o
governante, “revela-se imprescindível criar um programa de apoio
extraordinário aos órgãos de comunicação social privados que tenham
sede, atividade e domicílio fiscal na Região Autónoma dos Açores”.“Este
apoio extraordinário pretende a salvaguarda de emprego no conjunto das
empresas de comunicação social privada e visa garantir mecanismos que
evitem a redução da cobertura profissional da atualidade política,
social, económica e cultural, seja regional ou local”, disse.Durante
o debate, o deputado Paulo Simões (PSD) referiu que assiste-se ao
fenómeno do declínio das empresas de comunicação social e é necessário
“pensar em soluções”.A comunicação social
“está ligada às máquinas” e “sem comunicação social a escuridão é total e
a democracia fica em risco”, defendeu.“Nós
[Açores] somos esquecidos pelos órgãos de comunicação social do país.
Cabe à comunicação social local e regional dar voz a quem nunca a
teria”, alertou.Berto Messias (PS) também
evidenciou a importância da medida: “Nós não teremos uma democracia
forte se tivermos uma comunicação social privada fraca ou até extinta”.Na
sua opinião, o diploma hoje aprovado “reveste um caráter
extraordinário, num momento extraordinário, do ponto de vista negativo”,
para as empresas de comunicação social.Pelo
CDS-PP, Pedro Pinto, vincou que a comunicação social é “um pilar da
democracia” e “uma fonte de escrutínio da atividade dos governos e dos
partidos” e da própria sociedade. Já para o
deputado do PPM, João Mendonça, o apoio extraordinário aos órgãos de
comunicação social privados “reveste-se de uma importância vital para
garantir uma comunicação social livre e independente, condição essencial
para o pleno funcionamento da democracia”.Por
sua vez o deputado José Pacheco (Chega) disse que o partido discordava
do apoio por considerar que a comunicação social “tem de ser livre”:
“Nós só pagamos à comunicação social quando queremos dominar a
comunicação social”.O parlamentar Nuno
Barata (IL), salientou a importância dos meios de comunicação social
para a democracia, mas “há outras formas de ajudar a comunicação social
dos Açores a sobreviver” e, na sua opinião, a comunicação social “tem de
ter independência”. Por fim, António Lima
(BE) disse que o partido não concorda com o pagamento de salários aos
trabalhadores: “Esta proposta assim, não. É preciso um novo programa de
apoio à comunicação social. Apoios a pagamentos de salários, não”.