Aprovada a segunda alteração ao quadro legal da pesca açoriana
12 de fev. de 2020, 18:50
— Lusa/AO online
A
segunda alteração ao decreto legislativo regional que regula a pesca
nos Açores transpõe as regras comunitárias nesta matéria, com medidas
que “visam o controlo mais eficaz da atividade da pesca, visando
proteger os mananciais piscícolas, garantindo a sustentabilidade das
pescas”, explicou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia.“As
infrações cometidas nos Açores passarão a contar para o todo nacional
e, se se verificar que o Estado-Membro Portugal, no seu todo, se
encontra a transgredir no âmbito da Política Comum de Pescas, a Comissão
Europeia poderá sujeitar o Estado-Membro a penalizações, através da
suspensão de financiamentos ao abrigo do programa operacional Mar 2020,
pondo em causa obras e projetos de grande importância, inclusivamente
para a nossa região”, concretizou Gui Menezes.O
governante voltou a esclarecer que “não vão ser criadas novas
infrações”, uma vez que “as infrações em causa estão previstas no quadro
legal da pesca, tendo-se procedido a uma definição de tipologias de
infrações que eram consideradas graves no atual diploma e a que vão
passar a ser atribuídos pontos consoante a sua gravidade”.Ao
decreto legislativo regional, apresentado pelo Governo Regional, foram
apresentadas, pelo grupo parlamentar do PS, propostas de alteração que
pretendem “harmonizar a legislação regional com a nacional”, afirmou o
deputado socialista José Ávila, acrescentando que as alterações
propostas se prendem com a equiparação ao regime da atividade
profissional marítima publicado pelo Governo da República.A
deputada independente Graça Silveira considerou que as propostas
socialistas chegaram “em bom tempo”, mas apontou que “os dois
regulamentos de 2018, que obrigam à descarga [do pescado], não se
encontram” no documento.“O Governo
Regional fez um bom trabalho, conseguiu assegurar a devolução do goraz,
devido à sua capacidade de sobrevivência, mas todo o resto do quadro da
proibição das devoluções não se encontra neste documento”, prosseguiu a
antiga deputada centrista, mencionando ainda que o “diploma continua a
ser omisso em relação ao abate de embarcações” e que o sistema
abonatório é “manifestamente insuficiente”.Para
o BE, é “curioso que a mesma Comissão Europeia que impôs, no passado, a
abertura do mar dos Açores às grandes frotas europeias, seja agora tão
imperativa na defesa desse mesmo mar”.O
líder parlamentar bloquista, António Lima, disse que o documento hoje
aprovado é uma “cópia da adaptação nacional”, alegando “falta de
cuidado” na transposição da legislação para o quadro regional.O
PCP rejeitou a proposta, que “suscita sérias dúvidas quanto à sua
constitucionalidade”, afirmou o único deputado comunista no parlamento
açoriano, João Paulo Corvelo.“São
inventados comportamentos ilícitos que só o são nesta região, visto que
em nenhumas outras águas europeias o seriam”, atirou.Pelo
PSD, o deputado Jaime Vieira considerou que a legislação inclui
“medidas que, para os Açores, não fazem sentido”, defendendo que é
necessário “continuar a sensibilizar a Comissão Europeia para as
especificidades das Regiões Ultraperiféricas como os Açores”.O deputado social-democrata apontou ainda “a forma pouco dialogante” com que foi apresentado o documento.A
representação parlamentar do PPM votou contra a proposta, porque
considera que “tem potencial de provocar graves problemas ao conjunto da
classe piscatória” e que as medidas “deviam ter sido previamente
dialogadas com pescadores”, concluiu Paulo Estêvão, que critica a falta
de medidas ambientais.