Aposta no digital "não pode implicar" pessoas a ficar para trás
13 de dez. de 2024, 10:16
— Lusa/AO Online
O Governo aprovou a Estratégia Digital Nacional (EDN) e o Plano de Ação 2025-2026. "Temos
a estratégia e o Plano de Ação dividido em quatro dimensões: as
pessoas, as empresas, o Estado e as infraestruturas", sintetizou
Margarida Balseiro Lopes, quando questionada sobre as medidas que
destaca neste âmbito.Na dimensão pessoas
"destacaria as várias ações que nós temos para capacitar, para dar
competências na área do digital", bem como o tema das férias escolares,
que nós vamos aproveitar para reforçar as competências na área do ensino
da inteligência artificial [IA], da robótica, da computação"."Temos
uma preocupação grande com o tema da inclusão, ou seja, a aposta no
digital não pode implicar que existam pessoas que fiquem para trás" e "é
por isso que nós vamos avançar, já em 2025, com o projeto piloto, em 20
Espaços Cidadão, para darmos competências às pessoas mais velhas, para
saberem utilizar as novas tecnologias e para estarem mais alerta a temas
fraudulentos que tiram partido das novas tecnologias para enganar as
pessoas", explicou a governante. Trata-se de "uma necessidade de toda a população, em especial as pessoas com mais idade", reforçou.O
tema das infraestruturas "também é muito crítico", porque "tudo isto só
consegue acontecer se nós tivermos uma infraestrutura robusta,
resiliente, preparada", apontou.A
cibersegurança é uma questão "essencial" e "nós temos de estar, de
facto, mais capacitados", insistiu Margarida Balseiro Lopes. "Quando
eu digo nós, nós temos de começar pela Administração Pública. E,
portanto, o tema da bolsa de horas, que é uma das ações que nós temos em
concreto para 2026", elencou.As entidades
da Administração Pública "têm graus de maturidade e de resiliência
diferentes para resistir a esses fenómenos" de ciberataques e é preciso
"garantir que temos uma bolsa de horas que vai ser gerida pelo Gabinete
Nacional de Segurança [GNS]" para apoiá-las em caso de serem alvo
daquele tipo de incidentes, disse.Até
porque, "no limite, o destinatário final não é a entidade da
Administração Pública, é que a entidade da Administração Pública trata
dados e lida com pessoas. E, portanto, quando nós queremos apoiar mais
estas entidades na forma como lidam com esses incidentes, é a pensar nas
pessoas que nós estamos", sustentou.O primeiro Conselho de Ministros para a Transição Digital foi em julho e hoje foi o segundo.A 30 de setembro foi lançada a marca gov.pt, que é porta de entrada de comunicação entre o cidadão e os serviços."É
exatamente este exercício que nós vamos fazer com as entidades da
Administração Pública, ou seja, integrar os serviços mais procurados no
gov.pt para que as pessoas, por defeito", acedam a qualquer serviço -
seja Autoridade Tributária ou outro -, que segue "o mesmo 'design sytem'
do gov.pt" sem que haja qualquer disrupção, explicou.Uma
medida que está no Plano de Ação "é o método único de entrada de
autenticação, ou seja, o cidadão não pode entrar no gov e mete a chave
móvel e depois passou para o site da Autoridade Tributária e tem de
andar à procura, num caderno, qual é que é a 'password' de acesso às
Finanças, a 'password' de acesso à Segurança Social", referiu."Temos
como regra que vamos implementar agora nos próximos meses é: entrada
com a Chave Móvel ou com o Cartão de Cidadão em qualquer 'site' da
Administração Pública" e, apesar de isto "parecer uma coisa menor", tem
"um impacto brutal na vida das pessoas", quer sejam cidadãos ou
empresas, salientou."Quando falamos do
tema da competitividade, podemos ter uma economia mais competitiva, mais
produtiva, pagar melhores salários, sim. Mas uma das coisas que o
Estado pode fazer para aumentar a nossa produtividade, a produtividade
das nossas empresas, é garantir que elas não gastam horas nem recursos
humanos a fazer, a desempenhar tarefas que nós temos condições de não
obrigar a que tenham de fazer", prosseguiu.A
estratégia omnicanal está presente no Plano de Ação que passa pelo gov,
"o lançamento da aplicação no primeiro trimestre de 2025, o assistente
virtual que vai estar disponível nos próximos dias até ao final do ano,
que fala em 12 línguas e que consegue dar respostas sobre mais de 2.300
serviços, utilizando a inteligência artificial", o que é "muito
importante".E exemplificou: "alguém quer
renovar o Cartão de Cidadão e nem todas as pessoas têm de saber qual é
que é o serviço público que trata da renovação do cartão ou do
passaporte", vai ao gov, "pergunta ao assistente virtual 'eu preciso
renovar o meu Cartão de Cidadão, o que é que eu devo fazer" e o
assistente virtual "vai dar este tipo de respostas".No caso da informação em inglês na linha telefónica, está disponível desde 01 de outubro."O
que nós estamos a fazer e depois a nossa estratégia e o nosso plano de
ação está alinhado com isso, é simplificar" a vida das pessoas, disse.Ou
seja, "usar o digital não como um fim em si mesmo, mas como um meio
para melhorarmos a qualidade [de vida] das pessoas", reforçou.Um
dos objetivos para 2030 "é garantir a cobertura 100% do território
nacional" em 5G, sendo que estas metas estão "alinhadas com a Década
Digital", com os compromissos europeus."Uma
das ações do nosso plano de ação tem a ver com ligar aos Açores e à
Madeira porque neste momento temos o projeto do anel CAM, mas não temos a
ligação aos Açores e à Madeira da rede de computação nacional para que,
por exemplo, os centros de investigação dos Açores e da Madeira possam
tirar partido", apontou."As empresas também, mas desde logo as universidades, Açores e Madeira e os centros de investigação", sublinhou.Outra
das medidas destacadas foi a 'cloud' soberana, cuja definição de um
plano de desenvolvimento arrancará no primeiro semestre de 2025. Sobre
a aprovação da EDN, "acho que hoje é um dia importante, mas não é o dia
mais importante. O dia mais importante são todos os que se seguem. Ou
seja, é o grau de execução que nós vamos ter da estratégia. É essa a
minha maior preocupação e será essa a minha prioridade" e é "esse o meu
compromisso", assumiu.A consulta pública
da EDN recebeu 43 contributos de várias associações que representam
muitas outras entidades e isso demonstra que a sociedade está
"empenhada" e "com esta preocupação, o Estado tem de fazer o seu papel"
que passa também "por aproveitar o que de bom é feito pela academia e
pelos privados".Ou seja, "há iniciativas
aí, do Plano de Ação, que não são exclusivamente desenvolvidas pelo
Estado", "não devemos andar a duplicar esforços e devemos ter a
capacidade de colaborar, de trabalhar em rede e se há tema, se há área
onde nós podemos fazer isso, é no digital", rematou.