Apoiantes e opositores de Trump trocam acusações junto ao Tribunal de Nova Iorque
4 de abr. de 2023, 16:27
— Lusa
Um parque em frente ao tribunal foi o
ponto de concentração para ambos os grupos de manifestantes, após a
polícia ter montado barreiras metálicas a dividir o espaço, mas também
as ideologias.Contudo, as barreiras físicas não foram suficientes para impedir os ataques mútuos."Ele
tem de ser preso. Chorem, seus extremistas de direita. Vocês
odeiam-nos", gritava um jovem do lado dos opositores de Donald Trump."Isto é uma caça às bruxas. Vocês são tendenciosos", respondeu uma mulher defensora do magnata.Questionada
pela Lusa sobre se acredita que Trump é inocente, uma mulher que não se
quis identificar respondeu com tentativas de intimidação."Imprensa
de Portugal? Onde está a imprensa norte-americana? Eu estou aqui para
apoiar o meu Presidente, eu sei que ele é inocente, mas se andares por
aí a publicar essa propaganda sobre o meu Presidente, sobre o meu país e
sobre o país pelo qual o meu pai lutou, eu irei a público e farei com
que todos saibam que estás a mentir", disse.Ao
ritmo de tambores, opositores de Trump gritavam "prendam-no,
prendam-no, prendam-no", e não faltaram disfarces de Donald Trump
vestido de laranja, as cores usadas pelos prisioneiros nos Estados
Unidos.Uma bandeira gigante foi estendida no chão: "Trump mente o tempo todo", podia ler-se e onde ninguém se atreveu a pisar."Racistas, racistas, racistas", ouviu-se ainda.Do
outro lado das barreiras metálicas e tentanto provar o oposto,
apoiantes de Trump erguiam cartazes como "a comunidade chinesa está com
Trump", "os homossexuais estão com Trump", "O povo negro está com
Trump".Apesar das dezenas de apoiantes de
ambos os lados, o parque encheu-se rapidamente de jornalistas de várias
partes do mundo, evidenciando a forte atenção que este caso está a
despertar.Enquanto se aguarda a chegada do
ex-presidente, Trump recorria às redes sociais, nas suas habituais
mensagens em letras maiúsculas, para atacar o local definido para
comparência perante o juiz - "muito injusto, com algumas zonas em que
menos de 1% votaram [no partido] Republicano" - e defendendo como
alternativa Staten Island, onde o seu partido costuma ter melhores
prestações eleitorais.Outros alvos da
sucessão de mensagens foram o próprio juiz Juan Merchan - "altamente
parcial, tal como a sua família" - o próprio caso judicial - "uma caça
às bruxas" - o ex-procurador Bill Barr que comentava na Fox News - "um
total cobarde (...) que "se tornou num escravo virtual dos Democratas" -
e, como não podia deixar de ser, as últimas eleições em que perdeu para
Joe Biden - "completamente fraudulentas".Donald
Trump comparecerá hoje no tribunal criminal de Mnhanttan, depois de ter
sido formalmente acusado num caso que envolve o suborno de uma atriz
pornográfica, num acontecimento inédito na história do país.Trump,
que também é candidato à Casa Branca em 2024, chegou na segunda-feira a
Nova Iorque, tendo passado a noite na Trump Tower, rodeado por um forte
dispositivo de segurança.A sessão está
marcada para as 14:15 (19:15 em Lisboa), onde o ex-presidente deverá
passar por um protocolo que inclui tirar impressões digitais e,
possivelmente, fotografia, e onde se vai declarar "inocente", indicou a
defesa.Espera-se que Trump compareça
perante o juiz Juan Merchan - o mesmo magistrado que presidiu um
julgamento criminal no ano passado no qual a empresa imobiliária do
magnata foi condenada por fraude fiscal, mas no qual Trump não foi
acusado.No final da sessão, Trump deverá
regressar a Mar-a-Lago, a sua mansão na Florida, onde fará declarações
sobre todo o processo, informou o gabinete do ex-chefe de Estado
norte-americano.