APIR Açores assinala 10 anos e volta a exigir mais condições para os doentes renais
Hoje 09:29
— Daniela Arruda
A delegação dos Açores da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais
(APIR) celebrou, em Angra do Heroísmo, dez anos de
atividade. O evento serviu sobretudo para reivindicar soluções que
melhorem as condições de hemodiálise, tornar mais rápido o acesso a
exames e reforçar o apoio aos doentes que vivem nas várias ilhas da
Região.A data assinalou o aniversário e serviu também para fazer um
balanço do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido desde 2016, e
colocar na agenda pública os problemas que, segundo a APIR, continuam a
dificultar o dia a dia das pessoas com doença renal nos Açores.A
principal reivindicação da associação continua a ser a necessidade de
uma solução definitiva para o Serviço de Hemodiálise do Hospital Divino
Espírito Santo (HDES). A APIR considera que esta resposta é urgente e
que não deve ser adiada.Outra das preocupações está relacionada com o
tempo de espera para os exames de diagnóstico. A APIR defende que,
quando estes exames são feitos mais rapidamente, isso pode fazer
diferença no acompanhamento da doença e na qualidade de vida dos
doentes.Nesse sentido, a APIR sublinha também a importância da
prevenção e fala da importância de se investir mais na educação para a
saúde e na promoção de hábitos mais saudáveis. Lembra ainda que muitos
casos de doença renal podem ser evitados ou controlados mais cedo, mas
para isso é preciso informação e acompanhamento adequado.Outra
reivindicação prende-se com as deslocações. Muitos doentes açorianos
precisam de viajar entre ilhas e até mesmo para fora da Região para ter
acesso aos tratamentos e às consultas, o que resulta em mais despesas e
dificuldades. Assim, a APIR defende o reforço dos apoios para que o
impacto destas situações nas famílias seja minimizado.Na
cerimónia foi ainda feito um balanço dos 10 anos de atividade. A APIR
recordou o trabalho que tem sido feito junto dos doentes e instituições,
a participação em reuniões com entidades regionais, bem como a promoção
de campanhas de sensibilização, rastreios e ações no âmbito do Dia
Mundial do Rim.A história da nefrologia dos Açores também foi
lembrada. De todos os progressos destacou-se a criação do primeiro
serviço de hemodiálise na Região, em 1984, no Hospital de Santo Espírito
da Ilha Terceira (HSEIT). Este marco, segundo a APIR, tornou possível
que os doentes pudessem receber tratamento regular na Região sem terem
de se deslocar ao continente. Perante doentes, familiares,
profissionais de saúde e representantes institucionais, o momento serviu
para sublinhar o acompanhamento e o apoio que tem sido dado aos
utentes, bem como as ações de sensibilização, rastreios e iniciativas de
informação sobre a doença renal. A APIR refere que tem tentado estar
próxima dos doentes e intervir sempre que é preciso junto das entidades
de saúde.Na
cerimónia houve ainda momentos de homenagem, como o reconhecimento ao
médico José Henrique Sousa Freitas e à enfermeira Lúcia Freitas pelo
contributo dado à nefrologia nos Açores. Foi também lembrado o trabalho
do médico Jorge Monjardino e prestada uma homenagem póstuma a Rui
Bettencourt, antigo dirigente da Delegação dos Açores da APIR.A
delegação regional da associação destacou também o papel dos
profissionais de saúde dos serviços de nefrologia dos três hospitais da
Região e da Unidade de Hemodiálise da ilha do Pico, sublinhando o
trabalho diário que é feito junto dos doentes renais.No final, a
mensagem que fica é a de que, apesar de já terem passado 10 anos desde o
início da atividade da APIR, o balanço que se faz é de que muito já foi
feito, mas que mais há ainda por fazer na defesa dos direitos dos
doentes renais açorianos. Nesse sentido, a associação insiste que o
acesso aos cuidados de saúde não pode depender da ilha onde cada pessoa
vive e garante que vai continuar a trabalhar pelo bem-estar destes
utentes.