Apifarma diz que aumento de preços dos medicamentos é positivo, mas insuficiente
1 de mar. de 2023, 12:03
— Lusa/AO Online
“Não é
o suficiente, mas é [uma decisão] no sentido certo e pode ajudar a
equilibrar alguma coisa”, afirmou João Almeida Lopes durante uma audição
na comissão parlamentar de Saúde sobre rutura de medicamentos, a pedido
da Iniciativa liberal.O responsável
sublinhou também a necessidade de olhar não só para o preço dos
medicamentos, mas para o benefício que os fármacos trazem no que se
refere à redução de custos na assistência aos doentes.“Há
medicamentos caros e patologias muito complexas e necessidades médicas
ainda não satisfeitas, mas as patologias com maior prevalência estão
resolvidas e as pessoas vivem muito mais”, afirmou o presidente da
Apifarma, sublinhando que ”quando era novo as pessoas iam parar ao
hospital com úlceras abertas. Hoje em dia raramente vão”.João
Almeida Lopes disse ainda que, nos últimos 20 anos, as autoridades
estiveram sempre a olhar para os preços dos medicamentos, pensando
apenas em baixá-los, considerando que essa abordagem “tem os seus
reflexos e eles estão aí".A este respeito,
deu igualmente o exemplo que concursos hospitalares: ”Nunca eram
adjudicados a um fornecedor apenas, por uma questão de segurança. Agora é
apenas um fornecedor, o do preço mais barato. Se algo acontece, depois
não há”.Defendeu que o sistema de compras
montado “não faz sentido” e apontou igualmente o desinvestimento nos
últimos 20 anos na produção de medicamentos na Europa, incluindo em
Portugal.“Antigamente tínhamos a Cipan,
que era a companhia portuguesa de antibióticos. Hoje já não fazemos o
que fazíamos”, afirmou, para exemplificar a falta de capacidade
produtiva nacional, assim como a europeia, e destacar a crescente
dependência sobretudo do mercado asiático (China e Índia).Das
substâncias ativas para medicamentos, disse, "calcula-se que apenas um
terço pode ser produzida na Europa ou é detida a autorização de produção
por entidades europeias. Os outros dois terços passaram para a Ásia".O
responsável disse igualmente que o atual aumento de preços dos
medicamentos decidido pelo Governo, assim como a definição de uma lista
de medicamentos críticos (que podem vir a sofrer revisão de preços) são
medidas positivas, mas não resolvem por completo o problema da falta de
fármacos.“Há produtos cujos princípios
ativos foram descontinuados por terem muito pouco valor para quem
fabrica. Em última análise, está sempre a economia”, insistiu.“É
como se estivéssemos numa sala em que o soalho não mexe e o teto vai
baixando”, disse João Almeida Lopes, para destacar a constante redução
de preços dos medicamentos nos últimos anos, lembrando que Portugal é
dos países europeus com os preços mais baixos.“A
maior parte das decisões, sobretudo das empresas multinacionais, não
são tomadas em Portugal. Se a nível global tenho dificuldade em ter um
produto para abastecer um mercado que tem vindo a ter consumos maiores
(…) não me surpreenderia que quem faz a gestão global privilegie
mercados em que os preços não estejam tão esmagados e tenham maior
dimensão”, considerou.