Apenas dois dos 19 municípios dos Açores têm carta de risco sísmico
5 de dez. de 2023, 07:18
— Lusa/AO Online
De
acordo com a secção regional dos Açores do TdC, os instrumentos de
gestão territorial desenvolvidos para a região “não integraram
suficientemente a dimensão territorial da incidência dos diversos riscos
naturais nas suas opções”.A auditoria
aponta que, no âmbito da aplicação do Regulamento de Segurança e Ações
para Estruturas de Edifícios e Pontes, atualmente revogado,
“pressupõe-se que exista uma mitigação do risco sísmico”, mas “não são
conhecidas zonas de elevado risco sísmico onde não sejam permitidas
construções”.Em comunicado, o TdC aponta
que "apenas os municípios da Praia da Vitória e da Horta dispõem de
cartas de risco sísmico e de zonamentos nos respetivos instrumentos de
ordenamento do território".O TdC revela
que “não existe conhecimento de Plano Municipal de Ordenamento do
Território que tenha realizado uma avaliação das edificações e das
atividades localizadas em áreas de risco sísmico, vulcânico, geotécnico e
de inundações, no sentido da eventual relocalização de edificações e
usos e da adoção de critérios técnicos que minimizem riscos para pessoas
e bens”.De acordo com a auditoria,
“apenas os municípios de Ponta Delgada, Velas e Calheta dispõem de Plano
Especial de Emergência em Risco Sísmico aprovado”.Em
2023, “encontram-se atualizados” os planos municipais de emergência e
de proteção civil de Vila do Porto, Vila Franca do Campo, Povoação,
Nordeste, Praia da Vitória, Santa Cruz da Graciosa, Velas, Lajes do
Pico, Madalena, São Roque do Pico, Horta, Santa Cruz das Flores e Lajes
das Flores, o que “não acontece relativamente aos restantes seis
municípios”.“As diretrizes do Plano
Regional de Emergência em matéria de riscos sísmicos não se encontram
suficientemente incorporadas nos planos municipais de emergência, nos
planos setoriais e na programação das redes de acessibilidades,
transportes, telecomunicações, energia e equipamentos coletivos de
saúde, segurança e proteção civil", refere o TdC. A
instituição fiscalizadora recomenda aos municípios de Vila do Porto,
Santa Cruz da Graciosa, Velas, Calheta, Lajes do Pico, São Roque do
Pico, Santa Cruz das Flores e Corvo a elaboração de "estudos conducentes
à avaliação do risco sísmico e de riscos conexos, bem como ao
desenvolvimento de cartas de risco sismovulcânico".Aos
municípios de Vila do Porto, Ponta Delgada, Lagoa, Vila Franca do
Campo, Nordeste, Povoação, Ribeira Grande, Angra do Heroísmo, Santa Cruz
da Graciosa, Lajes do Pico, São Roque do Pico, Horta (parcialmente),
Santa Cruz das Flores, Lajes das Flores e Corvo, o TdC recomenda
"incorporar zonamentos nos instrumentos de gestão territorial, impondo
limitações para efeitos da realização de obras nas localizações de maior
risco sísmico".