Apenas 400 médicos dos 1.350 que concluiram formação há meio ano estão no SNS
9 de set. de 2024, 11:48
— Lusa/AO Online
“O
Ministério da Saúde de Ana Paula Martins decidiu unilateralmente
alterar as regras dos concursos, e tal como a FNAM tinha avisado
resultou no atraso inaceitável na contratação de especialistas para o
SNS”, salienta a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).Em
declarações à agência Lusa, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá,
adiantou que, devido a esta alteração, apenas estão colocados no Serviço
Nacional de Saúde 400 médicos, sendo os “piores atrasos” na colocação
de especialistas de Medicina Geral e Familiar, “uma das especialidades
mais carentes no SNS” e que leva a que quase 1,7 milhões de utentes não
tenham médico de família. “Mas além do
próprio processo, que passou a ser local e não um concurso nacional, há
irregularidades e problemas com os contratos e esse é grande problema
agora”, disse a líder sindical.Joana
Bordalo e Sá exemplificou com a abertura de vagas que depois fecham, sem
que o procedimento concursal esteja concluído, deixando médicos de
fora, como é o caso da Saúde Pública, o que considerou “absolutamente
inaceitável”. Por outro lado, algumas
unidades locais de saúde (ULS) recusam-se a comunicar o local do posto
de trabalho, disse, observando que “as ULS são muito grandes, algumas
têm mais do que um hospital, vários centros de saúde”, numa raio de mais
de 100 quilómetros.“As pessoas têm direito a saber qual é o seu local de trabalho (….). Isto é um drama”, vincou. A
presidente da FNAM alertou também para outra situação relacionada com
contratos que têm sido apresentados a médicos de Medicina Geral e
Familiar que “têm cláusulas que são ilegais, que pressupõem trabalho em
serviço de urgência nos hospitais”, o que não faz parte dos trabalho
destes especialistas.“Isto aconteceu em algumas ULS do Norte, mas também, por exemplo, no Alentejo”, revelou.A
FNAM defende que “os concursos de colocação dos recém-especialistas
sejam nacionais, com regras transparentes e equitativas para todos, e
que os contratos estejam em conformidade com a lei”.Apela
ainda a todos os médicos que validem os seus contratos junto do
departamento jurídico do respetivo sindicato da FNAM, para ação imediata
e em conformidade com o disposto nos Acordos Coletivos de Trabalho.A
Federação Nacional dos Médicos realça que esta “é uma das várias
razões” que empurraram para a greve geral dos dias 24 e 25 de setembro, e
para a manifestação nacional do dia 24, em frente ao Ministério da
Saúde, para exigir “uma ministra que sirva o SNS”.“Uma
vez mais fica demonstrada a falta de vontade política e de competência
por parte do Ministério da Saúde de Ana Paula Martins em encontrar
verdadeiras soluções para atrair médicos no SNS”, sublinha a federação
em comunicado, recordando que continua “a lutar e defender as soluções
que em tempo útil entregou no Ministério da Saúde” para “um SNS de
excelência” à população.