O presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos
Açores (SRPCBA), Rui Andrade, apelou ao reforço do financiamento
por parte dos municípios.“Devo também afirmar com franqueza que, no
conjunto da região, o contributo municipal para o financiamento das
associações humanitárias, de apenas 5% das despesas, é manifestamente
insuficiente face às responsabilidades que cabem aos municípios neste
domínio”, afirmou Rui Andrade na sua intervenção na sessão que ontem
assinalou os 147 anos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários
de Ponta Delgada.Para Rui Andrade, são “responsabilidades
consagradas na lei, ao atribuir ao senhor presidente de câmara a
qualidade de autoridade municipal de proteção civil e ao confiar-lhe
responsabilidades concretas de proteção, assistência e socorro às
populações”.Neste contexto, o presidente do SRPCBA defendeu a
necessidade de um compromisso financeiro mais sólido por parte das
câmaras municipais.“É exatamente por isso que este debate exige um
reforço do envolvimento dos municípios na sustentabilidade do sistema de
socorro. (...) Apelo, por isso, à vossa magistratura de influência
junto dos restantes municípios para a premência e inevitabilidade de
reforçar a prontidão permanente dos corpos de bombeiros através do
financiamento municipal e, vou repetir, estável e proporcional às
responsabilidades atribuídas”, afirmou.Face a esta intervenção, o
presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento
Cabral, criticou o que considerou uma tentativa de “eximir-se das suas
responsabilidades”, empurrando para os municípios encargos que considera
serem partilhados entre as instituições.“Permita-me, senhor
presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores,
em representação de Sua Excelência, que rejeite este discurso de querer
eximir-se das suas responsabilidades, atirando para cima dos municípios
responsabilidades que são naturalmente compartilhadas”, afirmou,
sublinhando que “compete ao Governo dos Açores estabelecer um diploma em
parceria com os municípios para que de uma forma consciente e eficaz
possa haver uma mútua colaboração naquilo que é um objetivo maior, dotar
as nossas corporações bombeiros de meios eficazes para assumir uma um
bem maior que é a salvaguarda da vida humana”.Nascimento Cabral
recordou ainda que a Câmara Municipal de Ponta Delgada tem vindo a
reforçar progressivamente o apoio financeiro concedido à Associação
Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, que em 2026
chegou ao montante anual de 250 mil euros, “reforçando a nossa
disponibilidade para colaborar na estabilidade e na capacidade
operacional desta corporação”.Por sua vez, Graça Costa, vereadora da
Câmara Municipal da Lagoa, anunciou durante a sessão comemorativa de
ontem a criação de um novo Centro Municipal de Proteção Civil, que
contará com um posto avançado e meios operacionais permanentes no
concelho, explicando que esta iniciativa visa otimizar os tempos de
resposta e fortalecer a resiliência da comunidade perante emergências
futuras.