APAV apoiou mais de 43.000 vítimas de violência doméstica em cinco anos
25 de nov. de 2019, 10:23
— Lusa/AO Online
Num
conjunto de estatísticas que abrangem o período 2013-2018 divulgadas
hoje, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as
Mulheres, a APAV lembra que registou um total de 43.456 processos de
apoio a pessoas vítimas de violência doméstica, o que se traduz num
total de 104.729 crimes.Com idades
compreendidas entre os 26 e os 55 anos (cerca de 42%), as vítimas de
violência doméstica eram sobretudo mulheres casadas (33,7%) e pertenciam
a um tipo de família nuclear com filhos/as (41,2%).Tendo
em conta o tipo de problemáticas existentes, prevalece o tipo de
vitimação continuada em cerca de 80% das situações, com uma duração
média entre os dois e os seis anos (16,9%). Os dados da APAV indicam que
a residência foi o local mais escolhido para a "ocorrência dos crimes"
em cerca de 64% das situações. Já as queixas/denúncias registadas ficam-se nos 41,2% face ao total de autores/as de crime assinalados.As
vítimas continuam a ser maioritariamente do sexo feminino - cerca de 86
% - a mesma percentagem de autores do crime/agressores do sexo
masculino. “O fenómeno da violência
doméstica contra as mulheres abrange vítimas de todas as condições e
estratos sociais e económicos. A violência - física, psicológica,
sexual, financeira – não pode ser tolerada”, sublinha a APAV.No
âmbito do Dia pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a APAV
refere que se associa à campanha #Ditados Impopulares, promovida pela
República Portuguesa e pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de
Género (CIG), e promove exposições, sessões e ações de sensibilização
por todo o país, através dos seus gabinetes de apoio à vítima.Os
dados divulgados na passada sexta-feira pelo Governo indicam que 33
pessoas foram mortas este ano em contexto de violência doméstica, entre
25 mulheres adultas, uma criança e sete homens.Segundo
revelou a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, entre
janeiro e setembro deste ano, comparando com o período homólogo do ano
passado, houve “um aumento de mais de 10% das ocorrências participadas à
PSP e à GNR”, além de um “aumento da capacidade de resposta da rede
nacional de apoio às vítimas de violência doméstica, que tem hoje uma
subida nos atendimentos na ordem dos 23%”.No
mesmo dia, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), num
balanço dos últimos 15 anos, indicou que foram assassinadas neste
período mais de 500 mulheres em contexto de relações de intimidade e
que, só este ano, morreram 28, algumas baleadas, outras estranguladas ou
espancadas. Os dados do Observatório de
Mulheres Assassinadas (OMA), da UMAR constam do relatório preliminar
apresentado em Lisboa e que mostra a realidade das mulheres assassinadas
em Portugal desde 01 de janeiro até ao dia 12 de novembro.Nesse
período, e tendo como fonte as notícias publicadas na imprensa
nacional, o OMA contou 28 mulheres assassinadas em contexto de relações
de intimidade ou familiares, além de outras duas mortas em diferentes
contextos, e 27 tentativas de homicídio.Contas
feitas, significa que, em média, houve três mulheres assassinadas todos
os meses e uma média de cinco mulheres vítimas de formas de violência
extrema.Numa mensagem por ocasião do Dia
Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que
hoje se assinala, o primeiro-ministro defendeu hoje que todos os
cidadãos devem "meter a colher" para eliminar a violência contra as
mulheres."Todos nós em sociedade, cada um
de nós, tem a responsabilidade de na sua família, nos seus vizinhos, nos
seus colegas, entre os seus amigos não tolerar, não pactuar, não
silenciar e de meter mesmo a colher para eliminarmos a violência sobre
as mulheres", afirmou António Costa."Cada
um de nós tem o dever de agir. O provérbio tradicional que entre marido e
mulher não se mete a colher não é aceitável. Aquilo que é dever de cada
um de nós é metermos mesmo a colher. É um dever de cada um", sublinhou.