APAV apoiou 50.495 mulheres nos últimos quatro anos, maioria por violência doméstica
6 de mar. de 2026, 12:36
— Lusa/AO Online
Os dados da
APAV divulgados a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se
assinala no domingo, mostram um aumento global de 22,8% entre 2022 e
2025, ano em que ajudaram 14.006 vítimas do sexo feminino.Entre
2022 e 2025, a APAV apoiou 50.495 vítimas do sexo feminino,
registando-se um crescimento contínuo ao longo do período: 11.410
vítimas em 2022, em 2023 foram 12.398, em 2024 foram 12.681 e no ano
passado 14.006, o que representa um aumento global de 22,8%.Nos
últimos quatro anos chegaram ao conhecimento da APAV 97.149 crimes e
formas de violência praticados contra mulheres, correspondendo a um
aumento de 21,7%.Em média, cada mulher apoiada foi vítima de dois crimes em simultâneo, realça a APAV.Os
dados da APAV indicam que os crimes por violência doméstica continuam a
predominar, representando 81,1% dos casos registados, seguindo-se
crimes como ameaça ou coação, abuso sexual de crianças, ofensas à
integridade física, difamação ou injúria e burla.De acordo com a APAV, 61,8% das vítimas são mulheres adultas entre os 18 e os 64 anos. As
crianças e jovens até aos 17 anos representam 15,3%, sendo este o grupo
que registou o crescimento mais expressivo no período analisado (+
47,2%). As pessoas idosas com 65 ou mais anos correspondem a 10,5% das vítimas apoiadas.No
que diz respeito à nacionalidade, 74% das vítimas são cidadãs
portuguesas, tendo sido igualmente apoiadas 8.587 mulheres de
nacionalidade estrangeira (17%), um número que aumentou 58,6% ao longo
do período em análise.A maior parte das
vítimas apoiadas residia nos distritos de Lisboa, Faro, Porto, Braga e
Setúbal, refletindo em grande medida a distribuição populacional do
país.Entre 2022 e 2025 foram ainda
identificadas 51.769 pessoas agressoras, verificando-se um aumento de
28%, a maioria do sexo masculino (71,2%).Em quase metade das situações, os agressores mantinham ou tinham mantido uma relação de intimidade com a vítima.Os
dados da APAV indicam igualmente que “mais de metade das mulheres
sofreu vitimação continuada, sendo que uma parte significativa procurou
apoio apenas após vários anos de violência”. Entre estas vítimas, 54,7% apresentaram queixa ou denúncia às autoridades, enquanto 33,9% não o fizeram.