Apagões elétricos estão a afetar o desenvolvimento das crianças na Venezuela
Hoje 13:48
— Lusa/AO Online
"As
interrupções no fornecimento de energia elétrica deixaram de ser
episódios excecionais para se tornarem uma realidade quotidiana (…), 9
em cada 10 famílias venezuelanas sofrem cortes de energia diários ou
esporádicos, refletindo um impacto que afeta a vida familiar, o acesso a
serviços básicos e as condições para o cuidado e desenvolvimento de
crianças e adolescentes", denuncia a ONG.Criada
e dirigida pelo lusodescendente Fernando Pereira, sublinha que ocorrem
interrupções recorrentes do serviço elétrico durante várias horas por
dia, em particular no interior do país, gerando dificuldades agravadas
em zonas rurais e comunidades afastadas da capital."A
crise energética não afeta apenas o funcionamento dos serviços
públicos. Também compromete as condições essenciais para o exercício dos
direitos e o bem-estar das crianças e dos adolescentes", sublinha.Segundo
a Cecodap, as altas temperaturas e as interrupções nos serviços puseram
em evidência problemas de infraestruturas como escolas com ventilação
insuficiente, dificuldades no acesso à água potável, casas de banho
inoperacionais e condições que dificultam a permanência de alunos nos
estabelecimentos educativos durante o horário escolar."Estas
situações têm consequências concretas na vida quotidiana. Há crianças
que reduzem o consumo de água potável para evitar usar casas de banho
que não funcionam. Há alunos que enfrentam dias letivos em condições de
calor que afetam a concentração e a aprendizagem. Há adolescentes que
tentam fazer os trabalhos escolares enquanto sofrem interrupções
constantes do serviço de eletricidade nas suas casas", explica.Segundo
a Cecodap, "quando estas condições se prolongam, o impacto deixa de ser
apenas uma dificuldade na vida quotidiana, afetando o exercício efetivo
do direito à educação, ao descanso, ao desenvolvimento integral e, em
última análise, ao direito à saúde mental".A
incerteza permanente, as constantes alterações dos horários, a
interrupção do sono, a perda de conectividade e o aumento do 'stress'
podem causar cansaço emocional, ansiedade, irritabilidade, dificuldades
de concentração e uma sensação de esgotamento, explica."Estes
efeitos não devem ser menosprezados. As crianças precisam de
estabilidade para se desenvolverem. Os adolescentes precisam de espaços
para estudar, descansar, manter vínculos e construir projetos a curto e
longo prazo", sublinha a ONG.Reconhecendo
que a falta eletricidade, exige um esforço enorme e gera cansaço,
preocupação e frustração nas famílias, a Cecodap recomenda aos pais que
mantenham algumas rotinas e expliquem o que está a acontecer com uma
linguagem adequada à idade das crianças.A
ONG aconselha ainda os progenitores a estarem "atentos a sinais de
mal-estar emocional. As alterações persistentes nos padrões de sono,
irritabilidade intensa, isolamento, medo excessivo, tristeza prolongada
ou dificuldades comportamentais significativas podem indicar a
necessidade de apoio adicional", lê-se no comunicado.