Anulação de votos dos emigrantes resulta de sistema "anacrónico"
Legislativas
11 de fev. de 2022, 18:22
— Lusa/AO Online
“Vivemos
numa sociedade tecnológica, no século XXI, e o sistema está montado
para o século XIX. E é evidente que esta situação tem de ser resolvida e
tem de ser pensada em termos de podermos proporcionar às nossas
comunidades um processo de votação mais prático e, sobretudo, que não
leve a estas situações constrangedoras”, declarou Miguel Albuquerque. O
chefe do executivo madeirense, de coligação PSD/CDS-PP, falava aos
jornalistas à margem da celebração dos 100 anos de presença do Instituto
S. João de Deus na região.Questionado se
lamenta que tenha sido o seu partido a protestar após a maioria das
mesas ter validado votos que não vinham acompanhados de cópia do cartão
de cidadão (CC) do eleitor, como exige a lei, Albuquerque respondeu: “Eu
não lamento nada, isto são problemas que decorrem do facto do sistema
não funcionar bem”.“O sistema não funciona bem porque é anacrónico, não é questão do partido”, considerou. “Depois
de estarmos a falar das comunidades nas grandes comemorações, no Dia de
Portugal, e depois não se faz nada para facilitar a vida a essas
comunidades, nem sequer no exercício básico do voto”, acrescentou.O
presidente do Governo Regional da Madeira confirmou também a sua
presença na tomada de posse do novo Governo da República, marcada para
23 de fevereiro. Sobre o relacionamento
com o executivo nacional, Albuquerque disse estar sempre “disponível
para o relacionamento institucional entre as duas regiões”, rejeitando
que a relação com o Governo liderado pelo socialista António Costa seja
de “agressividade”.“Agressividade é um
conceito muito elástico. Eu sempre tive disponibilidade para dialogar e
para tratar dos assuntos que interessam à Região Autónoma da Madeira”,
advogou.“Agora, a minha capacidade de
diálogo passa por uma disponibilidade para falar sobre aqueles que são
os interesses do Estado e da região e aquilo que são os interesses dos
madeirenses e dos porto-santenses. Estar sujeito às injunções e às
prepotências do governo central isso eu não aceito”, realçou.Mais
de 80% dos votos dos emigrantes do círculo da Europa nas legislativas
de 30 de janeiro foram considerados nulos, após protestos do PSD, mas a
distribuição de mandatos mantém-se, com PS e PSD a conquistarem dois
deputados cada nos círculos da emigração.Segundo
o edital publicado hoje sobre o apuramento geral da eleição do círculo
da Europa, de um total de 195.701 votos recebidos, 157.205 foram
considerados nulos, o que equivale a 80,32%.Em
causa estão protestos apresentados pelo PSD após a maioria das mesas
ter validado votos que não vinham acompanhados de cópia do cartão de
cidadão (CC) do eleitor, como exige a lei.Como
esses votos foram misturados com os votos válidos, a mesa da assembleia
de apuramento geral acabou por anular os resultados de dezenas de
mesas, incluindo votos válidos e inválidos, por ser impossível
distingui-los uma vez na urna.