Antram alerta para despedimentos coletivos e insolvências no setor em 2020
31 de dez. de 2019, 08:45
— Lusa/AO Online
“A
situação pode ser alarmante e prejudicar gravemente, primeiro as
empresas de transporte e, depois, as empresas e a economia nacional”,
disse à agência Lusa o advogado da associação patronal André Matias de
Almeida, temendo um “impacto brutal” resultante da entrada em vigor do
novo CCTV [Contrato Coletivo de Trabalho Vertical] em 2020.“As empresas não terão capacidade para absorver e internalizar todos os custos”, avisou. A
Antram espera assim que o mercado absorva os impactos pecuniários
assumidos pelas empresas pois, caso isso não suceda “tal ditará
despedimentos coletivos e reduções de frotas das transportadoras”.A
associação diz que têm sido várias as situações reportadas por
associados, que se queixam que os clientes não pretendem que os custos
de transportes sejam atualizados em alta. “Os
custos assumidos com as melhores condições de trabalho dos motoristas
devem ser reconhecidos por todos e terá de existir alguma
responsabilidade social de todos, transportadores e clientes”, refere a
associação patronal em comunicado. Assim
não sendo, avisa, “2020 será um ano de despedimentos coletivos e
insolvências de transportadores com evidente impacto na economia”. A
Antram está assim “muito preocupada” com o estado atual das empresas e o
futuro destas, nomeadamente com os custos “altíssimos” e a
rentabilidade “sempre a descer há três anos”, com as empresas a
internalizarem todos os custos e “a sofrerem sozinhas todo o impacto”. Em
29 de outubro, patrões e sindicatos assinaram formalmente o novo
contrato coletivo de trabalho para o setor, depois daquilo a que o
advogado da Antram, André Matias de Almeida, classificou como “uma
negociação muito dura”, atualizando em 11,1% a tabela salarial para os
motoristas de pesados.