Guterres indicou à presidência
da Assembleia-Geral e do Conselho de Segurança que estava “disponível
para um segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas, se essa
for a vontade dos Estados-membros", afirmou o porta-voz durante uma
conferência de imprensa.A possibilidade de
Guterres avançar para um segundo mandato na liderança da ONU tinha sido
avançada hoje de manhã por dois diplomatas citados pela agência
Bloomberg.António Guterres, de 71 anos,
assumiu o cargo de secretário-geral da ONU em janeiro de 2017 para
cumprir um mandato de cinco anos, que termina no final deste ano.“O
secretário-geral estará nas mãos dos Estados-membros durante o processo
e irá ao encontro de quaisquer expectativas expressas pela
Assembleia-Geral da ONU, aberto a sessões de perguntas”, referiu
Stéphane Dujarric, acrescentando: “António Guterres é o candidato, mas
quem organiza o processo deverá prestar mais declarações”. Foi,
entretanto, divulgado que o presidente da Assembleia-Geral da ONU, o
diplomata turco Volkan Bozkir, falou hoje por telefone com o presidente
do Conselho de Segurança (cuja presidência rotativa é assegurada este
mês pela Tunísia) sobre os próximos passos para a eleição e que os dois
deverão reunir-se na terça-feira.Segundo o
porta-voz do presidente da Assembleia-Geral, Brenden Varma, ainda “é
prematuro falar sobre o processo”, porque falta saber se existirão
outras candidaturas ao cargo.Brenden Varma
referiu que existiram alterações no processo de seleção do
secretário-geral, no sentido de uma maior abertura e transparência, e
que este ano será a primeira vez em que um secretário-geral incumbente
participa neste novo processo de transparência.De
acordo com os dois diplomatas citados pela Bloomberg, Guterres
transmitiu no domingo aos cinco membros permanentes do Conselho de
Segurança da ONU (o órgão máximo das Nações Unidas por ter a capacidade
de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo) - Estados Unidos,
Rússia, França, Reino Unido e China –, que gostaria de cumprir um
segundo mandato no cargo.Segundo os mesmos
diplomatas, Guterres, que conseguiu evitar a intolerância do Presidente
norte-americano cessante, Donald Trump, abstendo-se de o criticar em
público, quis esperar pelos resultados das eleições presidenciais dos
Estados Unidos, em novembro passado, que deram a vitória ao democrata
Joe Biden, antes de tomar uma decisão.A
administração Trump entrou várias vezes em confronto com a ONU e as suas
organizações, renunciando mesmo à Organização Mundial da Saúde (OMS) e
irritando os membros do Conselho de Segurança quando se retirou
unilateralmente e tentou acabar com o acordo nuclear assinado em 2015
com o Irão.O Presidente eleito, Joe Biden,
prometeu, no entanto, reverter a abordagem dos Estados Unidos,
regressando à OMS e ao acordo com o Irão, bem como ao Acordo de Paris
sobre as Alterações Climáticas.Durante o
seu mandato, Guterres fez da questão das alterações climáticas a sua
prioridade, pressionando os países a aumentar os compromissos para
reduzir as emissões de carbono.