António Guterres critica relutância em enviar força internacional para o Haiti
16 de mai. de 2023, 10:18
— Lusa/AO Online
“Há
de facto relutância por parte dos países que têm maior capacidade para
realizar este tipo de operação, eu diria intervenção porque se trata
mais de uma operação policial”, disse o português, numa conferência de
imprensa na Jamaica.Guterres enfatizou que
o Haiti enfrenta necessidades humanitárias "dramáticas", um sistema
político paralisado e níveis muito elevados de violência.“O
número de mortos, o número de pessoas incapazes de viver as suas vidas,
os problemas dramáticos de insegurança alimentar são de facto algo que
carece de um maior empenho da comunidade internacional”, disse o líder
da ONU.Guterres defendeu que é "necessário
encontrar um caminho político que permita o reconhecimento de um
governo legítimo e enfrentar a violência” dos grupos de crime
organizados.O dirigente lembrou a proposta
que fez no Conselho de Segurança da ONU para apoiar o Haiti com "a
presença de uma força policial internacional robusta para acabar com os
gangues, em paralelo com o processo político".O
secretário-geral das Nações Unidas, que falava depois de uma reunião
bilateral com o primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, lembrou que
a Jamaica “manifestou imediatamente vontade de fazer parte desta
operação”.Guterres destacou também o
trabalho da Comunidade das Caraíbas (Caricom), que em fevereiro tinha
apelado ao reforço da polícia do Haiti e assumiu, no final da sua
cimeira anual nas Bahamas, que deve “desempenhar um papel de liderança”
para resolver a crise que o país atravessa."Quero
expressar o meu total apoio às iniciativas da Jamaica e da Caricom e
quero pedir mais uma vez à comunidade internacional que entenda que a
solidariedade efetiva com o Haiti não é apenas uma questão de
generosidade, é uma questão de interesse, porque reflete uma ameaça à
segurança de toda a região e mais além", acrescentou o português.O primeiro-ministro da Jamaica disse estar convencido de que os pedidos de ajuda para o Haiti não serão ignorados."A
questão é o ritmo da ação e os países que querem ajudar também vão
querer ter a certeza de que existe um processo político em andamento que
pode produzir um resultado final", disse Andrew Holness.Mais
de 600 pessoas foram mortas no Haiti em abril, numa “nova vaga de
violência extrema” na capital, Port-au-Prince, alertou na semana passada
a ONU.O Haiti vive “um ciclo interminável
de violência”, disse o alto-comissário das Nações Unidas para os
Direitos Humanos, Volker Turk.A violência
dos gangues armados aumentou consideravelmente no Haiti desde o
assassinato do Presidente Jovenel Moise, em 07 de julho de 2021.