António Félix da Costa admite que título de Fórmula E é “a maior conquista da carreira”
17 de ago. de 2020, 08:42
— Lusa/AO Online
Em entrevista à Agencia Lusa, o piloto de
Cascais recorda as duas vitórias em Macau em Fórmula 3, mas admite que o
título de Fórmula E as supera."Os grandes
prémios de Macau que venci foram, de facto, muito grandes e a
felicidade que senti foi muito alta, mas este campeonato de Fórmula E
chega a bater isso. O esforço, a dedicação, os anos que demorei a
colocar-me na posição de conseguir ganhar… é o melhor resultado da minha
carreira até agora", diz.António Félix da
Costa revela que sentiu algumas dificuldades de adaptação ao DS após
seis anos com um BMW, mas, no final, o esforço compensou."Ingressar
numa equipa nova é sempre complicado. Estive seis anos na BMW, conhecia
a equipa toda, os cantos à casa. O carro foi desenhado por mim na BMW.
No início, não estava a acertar com as qualificações, não tinha ainda a
confiança no carro. Mas, com o tempo e com trabalho, conseguimos
aperfeiçoar essa fase, o que tornou a nossa vida mais fácil", frisa.O
piloto de 28 anos acredita que a próxima temporada "vai ser muito
complicada. "Esta equipa é campeã há três anos e toda a gente nos vai
querer bater", sublinha o luso.Nas últimas
corridas do campeonato, saltou à vista alguma tensão no relacionamento
com o companheiro de equipa, o francês Jean-Eric Vergne, que era o
bicampeão da categoria. "É um piloto
ganhador, que quer ser campeão. Não me ajudou, mas também não me
prejudicou. Não me tratou pior do que trataria qualquer outro piloto.
Mas já estava à espera, pelo que não foi uma surpresa", declara Félix da
Costa.Quanto à possibilidade de Portugal
vir a acolher uma corrida do campeonato, revela que já existiram
conversações entre os responsáveis da categoria e a Câmara de Lisboa."Há
essa vontade. Sei que há coisas a acontecer, Portugal está no mapa, mas
a Fórmula E está a crescer de uma forma incrível, tem 20 países à
espera para entrar no campeonato. Pode ser que com este título se
desperte um pouco mais esse interesse e haja mais vontade", atira.O
carro que deu o título ao piloto luso é já de segunda geração. "É um
carro 100% elétrico. A forma como a potência chega às rodas é incrível,
tens um binário instantâneo e muito consistente. Não precisas de
mudanças, o motor elétrico está sempre pronto para o seu nível máximo",
explica, abrindo a porta "a uma terceira geração", que deverá surgir
"dentro de dois anos"."Terá quatro motores e o dobro da potência. Atualmente temos cerca de 370 cavalos", revela.Anda
assim, muito longe da potência da Fórmula 1, que ficou como um espinho
atravessado na garganta. Mas Félix da Costa garante que já ultrapassou a
desilusão e já não pensa nisso."Já estou velho. Os miúdos que estão na calha têm todos 21, 22 anos. O meu foco já não está aí", frisa.Agora, o próximo objetivo passa pelas 24 Horas de Le Mans."Acho que se tivermos cabeça e minimizarmos os erros, podemos fazer um pódio", conclui.