António Costa pede à China que use influência para pôr fim à guerra na Ucrânia
24 de jul. de 2025, 16:22
— Lusa/AO Online
Num encontro com o
primeiro-ministro chinês, Li Qiang, parte da 25ª cimeira bilateral entre
a União Europeia (UE) e a China, Costa afirmou que, passados 50 anos
sobre o estabelecimento de relações diplomáticas, os laços económicos e
humanos entre ambas as partes “cresceram exponencialmente, trazendo
prosperidade para os dois lados”.“Como
parceiros comerciais de peso, as nossas economias e sociedades
tornaram-se estreitamente interligadas. A UE e a China também cooperam
no avanço da agenda ambiental multilateral”, sublinhou.A
cimeira decorreu num contexto de crescente desconfiança mútua, com a UE
a insistir na necessidade de corrigir o desequilíbrio comercial e
responder a práticas económicas que considera injustas, nomeadamente os
subsídios estatais chineses à indústria, que têm impulsionado
exportações de produtos a baixo custo para o mercado europeu, como
veículos elétricos.“Queremos trabalhar
para garantir que a nossa relação económica seja equilibrada, recíproca e
mutuamente benéfica. O comércio entre a UE e a China tornou-se
crescentemente assimétrico e isso não é sustentável”, alertou Costa, ao
lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.Segundo
dados chineses, as exportações da China para a UE cresceram 7% no
primeiro semestre do ano, enquanto as importações provenientes do bloco
europeu caíram 6%, agravando o défice comercial europeu, que ultrapassa
atualmente os 300 mil milhões de euros.António
Costa reforçou também as preocupações da UE em relação ao apoio chinês à
Rússia, apelando a Li Qiang para que, enquanto membro permanente do
Conselho de Segurança das Nações Unidas, use a sua influência para pôr
fim à guerra na Ucrânia.“Temos um
interesse comum em manter relações construtivas e estáveis. Mas para
isso é preciso que a China desempenhe um papel ativo em prol da paz e da
estabilidade internacional”, afirmou.A
China tem evitado condenar a invasão russa e é acusada por Bruxelas e
Washington de apoiar indiretamente Moscovo com exportações de bens de
uso duplo civil e militar. Na véspera da cimeira, Pequim criticou as
sanções europeias contra dois bancos chineses por alegadas ligações ao
comércio com a Rússia.Apesar das
divergências, Costa frisou que a UE está “comprometida em aprofundar a
parceria bilateral e em trabalhar com boa-fé e honestidade para
enfrentar os desafios globais”, numa base de respeito mútuo,
reciprocidade e compromisso com a ordem internacional baseada em regras.