António Costa condena violência contra manifestantes na Geórgia
2 de dez. de 2024, 11:20
— Lusa/AO Online
"Tive uma chamada telefónica com" a
presidente pró-europeia da Geórgia, Salome Zurabishvili, juntamente com
Kaja Kallas, chefe da política externa da União Europeia, indicou."Condenamos
a violência contra manifestantes pacíficos", sublinhou, referindo que
"as ações do governo vão contra a vontade do povo" georgiano."A UE está com o povo da Geórgia", rematou.Milhares
de opositores pró-europeus voltaram a reunir-se hoje junto ao
parlamento da Geórgia para exigir novas eleições e a demissão do
Governo, que decidiu congelar até 2028 o início das negociações de
adesão à União Europeia.Pelo quarto dia
consecutivo, os manifestantes, muitos deles ostentando bandeiras da
Geórgia e da UE, bloquearam a avenida central Rustaveli, onde se situa a
sede do poder legislativo, fortemente guardada por elementos das forças
policiais.Os protestos nos três dias
anteriores originaram confrontos violentos entre opositores pró-europeus
e a polícia, que usaram gás lacrimogéneo e canhões de água para
dispersar os manifestantes. Pelo menos 44 pessoas foram hospitalizadas
no sábado, na terceira noite de protestos.A
Geórgia está dividida desde que o partido no poder, o pró-russo Sonho
Georgiano, declarou vitória nas legislativas de 26 de outubro, com os
partidos da oposição (pró-UE) a alegarem que o ato eleitoral foi marcado
por irregularidades.O anúncio do Governo
de que iria suspender as negociações de adesão à UE ocorreu horas depois
de o Parlamento Europeu ter adotado uma resolução considerando a
eleição do mês passado como não sendo livre nem justa.Para
Bruxelas, as eleições representaram mais uma manifestação do contínuo
retrocesso democrático da Geórgia, "pelo qual o partido no poder, Sonho
Georgiano, é totalmente responsável".A UE
concedeu à Geórgia o estatuto de país candidato em dezembro de 2023, na
condição de cumprir as recomendações do bloco, mas suspendeu a sua
adesão e cortou o apoio financeiro no início deste ano, após a aprovação
de uma lei de "influência estrangeira", similar a uma existente na
Rússia e amplamente vista como um golpe para as liberdades democráticas.Os
legisladores da UE apelaram a uma repetição da votação parlamentar no
prazo de um ano, sob supervisão internacional rigorosa e por uma
administração eleitoral independente.