Antigo presidente do parlamento defende representante das autonomias no Tribunal Constitucional
31 de jan. de 2025, 17:30
— Lusa/AO Online
“Seria
pedagógico! Seria alguém que, nos momentos mais informais, nos
intervalos das reuniões e do funcionamento do próprio tribunal, nos
corredores, poderia sensibilizar os seus pares para a realidade
regional”, explicou o antigo parlamentar, eleito pelo PS, durante uma
audição na Comissão Eventual de Acompanhamento de Políticas de
Ordenamento do Espaço Marítimo, reunida em Ponta Delgada.Para
Francisco Coelho, esta poderia ser uma forma de ultrapassar o que
considera ser “o muro” do Tribunal Constitucional, sempre que aprecia
diplomas relacionados com os poderes autonómicos, manifestando quase
sempre uma visão “muito centralista” da legislação, a maioria das vezes
em prejuízo das duas regiões autónomas.A
eleição de um representante das regiões autónomas junto do TC, é uma
ideia também defendida por Luís Garcia, atual presidente da Assembleia
Legislativa dos Açores, eleito pelo PSD, que foi também ouvido pelos deputados da Comissão de Acompanhamento das Políticas
Marítimas.“Seria um contributo
determinante nesta matéria, para que, quem vive estas questões, quem
está com esta proximidade ao mar, quem assume na alma esta tradição
marítima que nós temos, se conseguíssemos ter alguém com estas
características no Tribunal Constitucional, isso seria vantajoso”,
insistiu o parlamentar social-democrata.Luís
Garcia lamentou que o TC tenha sempre revelado, até agora, um
“centralismo incompreensível e retrógrado” sobre as matérias regionais,
de que é exemplo a proposta de alteração à Lei de Bases do Ordenamento
do Espaço Marítimo, conhecida por Lei do Mar, que não permite uma
“gestão partilhada” das águas insulares, como defendem as duas regiões
autónomas.Francisco Coelho, que foi também
presidente da Comissão Eventual de Revisão da Autonomia (CEVERA) -
criada pelo parlamento açoriano, mas, entretanto, extinta -, entende que
está na altura de a Assembleia Legislativa dos Açores voltar à "carga"
com propostas de alargamento das competências regionais.“Aquilo
que nós temos identificado e sobre o qual temos grandes consensos, quer
ao nível da competência legislativa, quer ao nível da gestão do mar,
penso que se mantêm perfeitamente atuais e penso que a luta deve ser
retomada, logo que institucional e politicamente possível”, sublinhou o
antigo deputado.O atual presidente da
Assembleia vai mais longe e defende que se inicie um processo de revisão
constitucional, que possa vir a salvaguardar os interesses dos Açores, e
disse estranhar que os deputados ao parlamento açoriano não tenham
ainda suscitado o arranque desse processo.“Eu
acho estranho que, não só ao nível da revisão constitucional, mas de
todo um conjunto de matérias que a anterior comissão de aprofundamento
da autonomia preparou, nunca tenham sido repescadas por qualquer grupo
ou representação parlamentar. Acho isso estranho”, insistiu o
parlamentar social-democrata.A Comissão de
Acompanhamento de Políticas de Ordenamento do Espaço Marítimo, criada
por decisão do plenário, em abril de 2024, tem por objeto inventariar as
iniciativas legislativas, atos, acordos ou outros meios de cooperação
do Governo da República para com a Região Autónoma dos Açores, em
matéria de ordenamento do espaço marítimo e de proteção e preservação do
ambiente marinho.