Antiga fábrica da baleia do Faial organiza festa popular para assinalar 80 anos
2 de set. de 2022, 08:25
— Lusa/AO Online
“Fizemos um esforço para aproximar as
comemorações do tipo de animação que era possível encontrar na ilha, da
década de 1940, quando a fábrica foi construída, organizando jogos
tradicionais, chamarritas e um baile”, explicou à Lusa, Carla Dâmaso, do
Observatório do Mar dos Açores (OMA), instituição que gere aquela
infraestrutura.A Fábrica da Baleia de
Porto Pim, integrada no Parque Natural do Faial, é um complexo
industrial que se situa na parte sudeste da baía de Porto Pim, junto à
encosta com o Monte da Guia e recebe, todos os anos, cerca de sete mil
visitantes, naquele que é considerado um dos melhores exemplares da
extinta indústria baleeira açoriana.“Este é
um local de visita obrigatória, só que a maioria dos nossos visitantes
são estrangeiros ou turistas oriundos do continente e a nossa intenção é
trazer também as pessoas de cá para conhecerem o espólio da sua ilha”,
adiantou Carla Dâmaso, esperando que o programa comemorativo dos 80 anos
ajude a aproximar os habitantes locais da fábrica.A
Fábrica da Baleia de Porto Pim começou a laborar em 1942, altura em que
muitos faialenses trabalhavam nas atividades de caça, desmancho e
processamento de cachalotes (o tipo de baleia mais comum nos Açores),
que eram capturados ao largo das ilhas e depois arrastados até terra,
para o aproveitamento de alguns subprodutos com valor comercial na
época, como o óleo de toucinho, farinhas de carne, ossos e sangue.“Este
museu é o testemunho de uma atividade, felizmente extinta, mas que,
ainda hoje impressiona os turistas que por aqui passam”, salienta a
coordenadora do OMA, lembrando que, além da maquinaria original, que era
utilizada para desmanchar os cachalotes, a Fábrica da Baleia de Porto
Pim inclui ainda alguns elementos recentes, que ajudam a perceber a
história da baleação nos Açores, como um modelo de um cachalote
construído à escala real e um esqueleto completo de uma baleia.Durante
o dia de sábado (03 de setembro), além dos jogos tradicionais, das
chamarritas e do baile popular, os visitantes da Fábrica da Baleia de
Porto Pim poderão também visitar o museu e ainda apreciar alguns “comes e
bebes”, acompanhados de música eletrónica, pela noite dentro.Durante
os cerca de trinta anos em que esteve em laboração, a Fábrica da Baleia
de Porto Pim processou 1.940 cachalotes, que produziram cerca de 44 mil
bidões de óleo, mas acabaria por encerrar as suas portas em 1974,
quando a atividade da caça à baleia já se encontrava em declínio.A
unidade fabril foi classificada, em 1984, como imóvel de interesse
público, mas ficou ao abandono durante quase duas décadas, até que o
Governo Regional dos Açores decidiu restaurar e beneficiar aquele
património, que desde 2004 tem sido gerido pelo Observatório do Mar dos
Açores, uma associação sem fins lucrativos, de cariz técnica, científica
e cultural, criada por elementos do Departamento de Oceanografia e
Pescas da Universidade dos Açores.