Ano de 2024 com mais 41 dias de "calor perigoso" devido a alterações climáticas
27 de dez. de 2024, 13:06
— Lusa/AO Online
O relatório da World
Weather Attribution (WWA) e da Climate Central concluiu que as mudanças
climáticas intensificaram 26 dos 29 fenómenos meteorológicos extremos
alvos do estudo, responsáveis por matar pelo menos 3.700 pessoas e
provocar a deslocação de milhões de cidadãos.A
WWA é formada por investigadores de várias instituições científicas e
universitárias e tem protocolos e parcerias com peritos locais que
permitem avaliar rapidamente fenómenos climáticos extremos em todo o
mundo, socorrendo-se também de modelos climáticos e literatura
especializada.As duas organizações
definiram os dias de “calor perigoso” de mais de 200 países e
territórios analisando as temperaturas médias dessas áreas entre 1991 e
2020 e identificando o percentil dos 10% mais quentes, com os valores
habitualmente associados a maiores riscos para a saúde. Calculada
a média dos dias mais quentes do que o normal nos vários territórios,
concluiu-se que 2024 teve mais 41 dias de “calor perigoso” no mundo do
que num cenário sem alterações climáticas.“Isto
está em linha com a tendência mais ampla de que, à medida que o planeta
continua a aquecer, os efeitos das alterações climáticas dominam cada
vez mais outros fatores naturais que influenciam o clima”, alertaram os
cientistas.Os autores do estudo apelaram a
uma transição “muito mais rápida” dos combustíveis fósseis e a uma
maior preparação dos países para condições climatéricas extremas.Entre
as recomendações estão a emissão de relatórios em tempo real sobre as
mortes devido ao calor extremo e maior financiamento internacional para
ajudar os países em desenvolvimento a tornarem-se mais resilientes.A
organização não-governamental Climate Central, com sede nos Estados
Unidos, estuda as alterações climáticas e o seu impacto na vida das
pessoas.Joseph Giguere, investigador
associado da Climate Central, destacou que as temperaturas
suficientemente elevadas para ameaçar a saúde humana “estão a tornar-se
mais comuns devido às alterações climáticas”.“Em
muitos países, os residentes estão expostos a semanas adicionais de
calor, atingindo limites de risco que seriam praticamente impossíveis
sem a influência do aquecimento global”, alertou.A
líder da WWA, Friederike Otto, sublinhou que a sociedade tem o
conhecimento e a tecnologia para se afastar dos combustíveis fósseis e
passar para as energias renováveis, reduzir a procura e parar a
desflorestação.As medidas devem ser
implementadas e não permanecer relegadas para segundo plano por
tecnologias como a remoção de dióxido de carbono, que “não funcionará
sem se fazer primeiro tudo o resto”, defendeu a professora de ciências
climáticas no Imperial College London."As
soluções estão à nossa frente há anos. Até 2025, todos os países devem
intensificar os seus esforços para substituir os combustíveis fósseis
por energias renováveis e preparar-se para condições climáticas
extremas", alertou Otto.