ANMP considera inaceitável falta de compromisso do Governo com a recuperação de escolas
OE2026
23 de out. de 2025, 17:58
— Lusa/AO Online
Num parecer relativamente
à proposta do executivo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro,
a ANMP considerou “incompreensível” a falta de um artigo, incluído nos
últimos orçamentos, segundo o qual o Governo se compromete a cumprir os
compromissos assumidos com a associação, num acordo assinado em julho de
2022, relativamente ao financiamento da recuperação de escolas que
transitaram para os municípios no âmbito do processo de
descentralização.“Por isso, condicionamos a
emissão de parecer favorável à presente proposta à resolução deste
problema das escolas”, salientou a ANMP, assegurando que vai continuar a
intervir junto do Governo e dos partidos para “a assunção expressa da
concretização dos compromissos” relativo ao financiamento do programa de
recuperação de escolas.Segundo a ANMP, na
proposta de OE2026 desapareceu também uma disposição que autorizava o
Governo a proceder a alterações orçamentais para assegurar as
transferências para as autarquias locais no âmbito do Programa Escolas,
estando apenas autorizadas alterações para financiar o montante
equivalente ao IVA e a contrapartida nacional a suportar no âmbito dos
projetos.A ANMP realçou que, em agosto,
efetuou um levantamento sobre o ponto de situação das 526 escolas
mapeadas (com uma taxa de resposta superior a 90%).“Foi
possível apurar que a grande maioria dos municípios está a avançar com
os projetos, mesmo sem garantia de financiamento, já que apenas cerca de
15% das escolas estão no estado mínimo de maturidade (sem projeto). Em
todas as restantes, os municípios já iniciaram o desenvolvimento do
projeto”, disse.Segundo a ANMP, apenas 27%
destas escolas têm financiamento assegurado, “havendo muitos municípios
a aguardar o apoio do BEI [Banco Europeu de Investimento] para avançar
com os concursos, não tendo condições financeiras para avançar de outra
forma”.Outras 144 escolas estão sem
financiamento apesar de apresentarem uma maturidade avançada,
nomeadamente 118 têm projeto aprovado, 11 têm o concurso a decorrer,
seis estão com o projeto adjudicado, oito com obra em execução e uma
escola até já está concluída.“Consideramos
que o desaparecimento destas normas é um sinal negativo sobre o empenho
político e orçamental do Governo na concretização do programa acordado
com a ANMP, o que já vínhamos a antecipar com o lançamento do aviso BEI
destinado exclusivamente às escolas P1, e não podemos aceitar. Esta
tendência tem de ser revertida e a concretização deste programa tem de
se transformar numa prioridade”, é sublinhado.No
documento, a ANMP considerou que as transferências previstas na
proposta do Governo cumprem a lei das finanças locais, com um montante
global a atribuir aos municípios de 4.410,5 milhões de euros, mais 118
milhões de euros do que em 2025 (+2,7%, acima da inflação), considerando
a participação no IRS a 5% e excluindo o Fundo de Financiamento da
Descentralização. “É verdade que se trata
de um aumento inferior ao dos anos anteriores, mas tal é reflexo do
menor aumento da coleta de IRC, IRS e IVA de 2024 (valores que, nos
termos da Lei das Finanças Locais, servem de base 100 ao cálculo das
transferências para os municípios)”, acrescentou a associação.No
documento, a ANMP reitera ainda a necessidade de uma nova lei das
finanças locais e a necessidade de maior acompanhamento da
descentralização de competências, através da reposição da comissão de
acompanhamento do Fundo de Financiamento da Descentralização, que
deveria acompanhar as transferências financeiras e avaliar se as verbas
são suficientes.A proposta de OE2026 vai
ser discutida e votada na generalidade, no parlamento, entre 27 e 28 de
outubro. A votação final global está marcada para 27 de novembro, após o
processo de debate na especialidade.