AngraJazz arranca hoje em Angra do Heroísmo com expectativa de casa cheia
3 de out. de 2019, 14:24
— Lusa/AO Online
“Temos casa quase cheia.
Os bilhetes têm-se vendido muitíssimo bem, melhor do que nos anos
anteriores e esperamos ter de facto um grande festival, à altura dos
anteriores”, adiantou, em declarações à Lusa, José Ribeiro Pinto, da
associação cultural AngraJazz, que organiza o festival.Este
ano, o cartaz do festival começou a ser divulgado em março na Bolsa de
Turismo de Lisboa (BTL) e com anúncios em revistas internacionais desde
maio, o que a organização acredita ter contribuído para que mais pessoas
tivessem programado visitas à ilha Terceira para assistir ao AngraJazz.O
furacão “Lorenzo”, que passou pelos Açores na madrugada e manhã de
quarta-feira e obrigou ao cancelamento de voos, poderá ter condicionado a
deslocação de alguns turistas, mas ainda assim José Ribeiro Pinto
estima que o público que chega de fora da ilha aumente.“A
nossa expectativa continua a ser muito boa. Estamos com esperança de
termos mais gente do que nos anos anteriores”, afirmou, acrescentando
como exemplo que um casal que habitualmente marcava presença no festival
este ano desistiu, porque o seu voo foi cancelado.Quanto
ao cartaz, não sofreu alterações, com exceção de um espetáculo previsto
para a passada quarta-feira num bar, em Angra do Heroísmo, porque os
músicos não conseguiram chegar a tempo à ilha.Para
além dos três dias de festival no Centro Cultural e de Congressos de
Angra do Heroísmo, a organização promove um conjunto de concertos em
bares, restaurantes, lojas e espaços culturais da cidade, na semana que
antecede festival, que tem contado com boa adesão do público. “Não
é, como não podia ser, uma coisa com grandes audiências, porque decorre
em bares e restantes, mas a verdade é que se cria um ambiente muito
agradável, muito próximo, entre os músicos e espetadores e portanto as
pessoas gostam imenso”, salientou José Ribeiro Pinto.O
objetivo, explicou, é criar um conjunto de atividades que tornem a
cidade de Angra do Heroísmo “apelativa” para que os amantes de jazz se
desloquem à ilha Terceira não apenas para os três dias do festival. A
21.ª edição do AngraJazz arranca hoje com a Orquestra AngraJazz,
formada por músicos locais, que é já presença habitual no primeiro dia e
que este ano conta com o pianista e compositor Carlos Azevedo como
convidado.Segue-se o quinteto do francês Émile Parisien, “um dos grandes saxofonistas altos da Europa, altamente premiado”. O
segundo dia começa com o sexteto Axes do português João Mortágua,
composto por quatro saxofonistas e dois bateristas, “uma experiência
interessante, que tem sido muito acarinhada pela crítica”, dentro do
jazz mais moderno, e cujo álbum de estreia foi considerado “o melhor do
ano” pelo JazzLogical. Sobe também ao
palco do AngraJazz nessa noite o quarteto do pianista norte-americano
Frank Kimbrough, que começou a tocar músicas de Thelonious Monk em 2017 e
já gravou seis álbuns dedicados a esse vulto do jazz mundial.O
festival encerra com Allan Harris, “cantor da senda nova-iorquina já
com muitos anos de experiência e muito considerado internacionalmente”,
seguido pelo quarteto do saxofonista porto-riquenho Miguel Zenón,
“eleito o melhor saxofonista alto do mundo”.