Angra do Heroísmo reforça informação de autoproteção em caso de sismo

17 de jun. de 2024, 15:18 — Lusa

“A situação não se alterou. Quando se alterar o assunto será devidamente comunicado e é importante que as pessoas entendam que nestas matérias não há quaisquer segredos e tudo aquilo que se sabe é comunicado. Felizmente, as coisas têm-se mantido estáveis, contudo, seja para esta situação, seja para outra qualquer, é importante que as pessoas leiam, discutam e se preparem mentalmente para o que fazer caso aconteça qualquer coisa”, afirmou hoje, em declarações aos jornalistas, o presidente do município, Álamo Meneses.O panfleto elaborado pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), apresentado hoje em conferência de imprensa, contém medidas de autoproteção em situação de sismo ou erupção vulcânica.A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, prevê distribuir 16 mil exemplares porta a porta por todas as moradias habitadas no concelho.Desde 24 de junho de 2022 que a atividade sísmica no vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira, se encontra “acima dos valores normais de referência”, segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).Têm existido alguns picos de libertação de energia, mas o CIVISA tem mantido o nível de alerta científico para a caracterização do estado da atividade sismovulcânica em V2 (possível reativação do sistema — sinais de atividade moderada), numa escala de 0 a 6.O maior evento foi registado em 14 de janeiro, com magnitude 4,5 na escala de Richter, tendo provocado uma derrocada na freguesia do Raminho, bem como o derrube de muros em terrenos agrícolas e pequenas fissuras em algumas casas.Segundo o autarca de Angra do Heroísmo, o objetivo da distribuição deste panfleto é que as famílias discutam o papel de cada membro do agregado em caso de catástrofe e que prevejam também prestar apoio a vizinhos ou familiares com maiores dificuldades de mobilidade.“É bom que a família tenha predefinido quem vai buscar os filhos à escola, quem vai visitar algum idoso ou alguém que tenha mobilidade reduzida. É importante que haja uma preparação prévia para qualquer evento anómalo que aconteça, de forma a que a resposta da população seja mais eficaz e que se evitem o pânico e as correrias”, explicou.Para o presidente da Proteção Civil dos Açores, Rui Andrade, a iniciativa da autarquia de Angra do Heroísmo deve ser replicada por outros municípios para “sensibilizar, informar, capacitar a população”, num arquipélago mais suscetível a eventos sismovulcânicos.“Não vale a pena falarmos do assunto com receio, com tabu ou não falar nele, pura e simplesmente ignorá-lo. O assunto é por demais importante. Devemos falar nele de forma constante, não vulgarizar, mas normalizar. Ele existe, o que temos de fazer é prepararmo-nos a todos os níveis”, defendeu.Rui Andrade frisou que “o cidadão tem um papel fundamental no sistema de proteção civil”, mas considerou que a população açoriana está hoje “mais informada, mais esclarecida e mais preparada”.“Esta preparação deve-se muito àquilo que tem sido desenvolvido pelo Serviço Regional de Proteção Civil ao longo dos anos e com foco na comunidade mais jovem da região, nas escolas”, apontou.O presidente do SRPCBA deixou uma mensagem de “tranquilidade e confiança no sistema”, alegando que os bombeiros estão hoje “mais apetrechados e mais qualificados” e que as infraestruturas são “muito diferentes do que eram no passado”.“Nós temos uma memória coletiva muito marcada pelo drama social que foi o sismo de 1980, mas a verdade é que as circunstâncias hoje são diferentes do que eram à data”, ressalvou.