Angra do Heroísmo precisa de mais 849 vagas em respostas sociais para idosos até 2032
10 de jan. de 2025, 18:32
— Lusa/AO Online
“Se a
população idosa aumentou, vai ser necessário mais estruturas de apoio
para idosos, tanto a nível domiciliário, como a nível de residências”,
afirmou, em declarações aos jornalistas, a vereadora Fátima Amorim da
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que atualizou a carta social do
concelho para o período 2024-2028.Segundo
Gualter Couto, da empresa Fundo de Maneio, que elaborou a carta social,
após auscultar várias entidades no concelho, Angra do Heroísmo apresenta
uma taxa de cobertura acima da média regional na maioria das valências
sociais destinadas a idosos.Ainda assim, o
serviço de apoio domiciliário tem uma taxa de cobertura de 7,4%, os
centros de convívio de 17%, os centros de dia de 1,7% e as estruturas
residenciais para idosos de 5,1%.No caso
dos centros de convívio, o documento identifica a necessidade de criação
de 193 vagas até 2028 só para manter a mesma taxa de cobertura, mas até
2032 serão necessários mais 143.Já no apoio domiciliário são necessárias mais 84 vagas até 2028 e outras 62 até 2032.Até
2028, está prevista a abertura de 24 vagas no concelho em centros de
dia, mas a carta identifica a necessidade de mais 206 vagas até esse ano
e de outras 38 até 2032.Quanto às
estruturas residenciais para pessoas idosas, preveem abrir mais 40 vagas
até 2028, quando o documento aponta para a necessidade de mais 16 e
outras 43 até 2032.Somando todas as
valências, a carta social identifica uma carência de 849 vagas para
manter as taxas de cobertura atuais em 2032.Estas
necessidades refletem o envelhecimento da população do concelho, que
nos Censos de 2021 registou uma quebra de 21,6% na população com menos
de 18 anos e um aumento de 20% na população com mais de 65 anos.Atualmente,
Angra do Heroísmo conta com 114 equipamentos e respostas sociais,
geridos por 47 entidades, na maioria Instituições Particulares de
Solidariedade Social (IPSS), sobretudo localizadas nos arredores da
cidade.A maioria das respostas sociais
está direcionada para infância e juventude (42,1%) e para pessoas idosas
(36,8%), sendo as restantes para família e comunidade e para pessoas
com deficiência ou incapacidade.Segundo o
inquérito realizado para a elaboração da carta social, 80% das
instituições que prestam apoio a crianças e idosos identificaram um
aumento da procura.No caso das respostas
para crianças e jovens, as taxas de ocupação são superiores, atingindo
os 86,9% nas creches e de 53,4% nos centros de atividades de tempos
livres (CATL).Até 2028, está previsto um
aumento de 40 vagas nas duas valências, o que fará aumentar as taxa de
cobertura para 96% nas creches e 60,8% nos CATL.Os
estabelecimentos de educação pré-escolar apresentam uma taxa de
cobertura de 56,7% na rede de solidariedade social, mas quando
complementados com a oferta da rede pública atingem os 136%.Segundo
Gualter Couto, isso acontece porque “houve um investimento importante
que tinha de ser feito”, mas ocorreu uma diminuição da taxa de
natalidade e uma redução de crianças e jovens.Já
nas respostas para pessoas com deficiência, há uma taxa de cobertura de
3,5% nos centros de atividades e capacitação para a inclusão e de 1,1%
nos lares residenciais, mas Gualter Couto alertou que há números que
estão desatualizados.Para Fátima Amorim, o
documento apresentado “é um instrumento de planeamento
estratégico”, que vai permitir ao município e a outras entidades planear
as respostas futuras.