Angra do Heroísmo com 40,3 ME em 2023 mantém tarifas e IMI para ajudar famílias e empresas
22 de dez. de 2022, 16:17
— Lusa/AO Online
“Temos
condições financeiras para fazer isso e achámos que, num ano em que a
inflação tem estado elevada e que se prevê que continue em 2023, é o
nosso contributo na luta contra a inflação e no sentido de reduzir os
custos das famílias e das empresas, já que esta questão se aplica
transversalmente a toda a atividade económica”, afirmou, em declarações à
Lusa, o autarca socialista Álamo Meneses.O
orçamento para 2023 foi aprovado em reunião de câmara e em assembleia
municipal com os votos favoráveis do PS e a abstenção dos vereadores e
deputados municipais da coligação PSD/CDS-PP/PPM.Segundo
Álamo Meneses, as tarifas da água e dos resíduos em Angra do Heroísmo
mantêm-se sem alterações “pelo 12.º ano consecutivo”, o que representa
“uma distribuição pelas pessoas de cerca de dois milhões de euros”.Também
o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) não terá aumentos, sendo
cobrado o valor mínimo no concelho, “com desconto de 20% na zona urbana e
em algumas freguesias”.Em 2022, o
orçamento do município foi de 27,6 milhões de euros, mas o autarca
justificou o aumento em 2023 com uma verba de 10 milhões de euros do
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para recuperação de habitação.Segundo
Álamo Meneses, “a maior fatia” do investimento suportado na íntegra
pelo município é para a repavimentação de estradas, com uma verba de 1,5
milhões de euros.“Temos troços muito
degradados. Estivemos algum tempo à espera a ver se o quadro comunitário
que agora se inicia tinha financiamento para estradas. Agora que temos a
certeza que não tem, vamos ter mesmo de fazer esta intervenção”,
explicou.O autarca destacou ainda
investimentos no abastecimento de água e em centros de resíduos, a
transferência de 1,5 milhões de euros para as juntas de freguesia, a
atribuição de 1 milhão de euros a instituições sem fins lucrativos e a
atribuição de bolsas de estudo, num valor global de 150 mil euros.Questionado
sobre o novo mercado municipal, que é adiado há quatro anos, Álamo
Meneses disse que o município pretende que avance “o mais rapidamente
possível”, mas alegou não ter a certeza de que a obra se inicie em 2023.“Está
dependente de chegarmos a um conjunto de entendimentos que até agora
não foi possível”, apontou, acrescentando que “não será por razões
orçamentais que a obra não avança”.O
projeto, orçamentado em 7,5 milhões de euros e cofinanciado por fundos
europeus, está dependente de um parecer da UNESCO, já que o centro
histórico de Angra do Heroísmo está classificado como património
mundial.Segundo o autarca, o município,
que chegou a ter uma dívida de 30 milhões de euros, tem agora uma
“dívida própria na casa dos 2 milhões de euros” e uma dívida total de 6
milhões de euros, sendo parte relativa à construção de bairros sociais,
com juros pagos pelo Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU)
e pelo Governo Regional.A vereadora
social-democrata Sandra Garcia, eleita pela coligação PSD/CDS-PP/PPM,
justificou os votos de abstenção com a conjuntura atual.“Estamos
no meio de uma crise, por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e
ainda não sabemos qual o impacto que terá nas nossas vidas. O facto de
não haver aumento de taxas, uma decisão da câmara que mereceu a
unanimidade de todos os vereadores, e o facto de haver alguma cautela
para se poder acudir a alguma situação com as famílias e com as empresas
no próximo ano, levou-nos a esta decisão”, adiantou.A
coligação, que tinha votado contra o orçamento para 2022, viu ainda
algumas propostas de alteração aprovadas, como o reforço de segurança
rodoviária em algumas estradas e medidas para as juntas de freguesia.Sandra
Garcia disse que o orçamento não mereceu o voto favorável de PSD,
CDS-PP e PPM, porque as opções não coincidiam todas com as da coligação,
defendendo, a título de exemplo, melhorias no estacionamento no centro
da cidade, o reforço da iluminação em alguns locais e uma maior aposta
nos recursos humanos do município.