Ângela Fernandes une Açores e São Paulo em exposição solidária
Hoje 10:14
— Ana Carvalho Melo
A pintora Ângela Fernandes, radicada nos Açores, regressou a São Paulo, seis anos depois de ter deixado a cidade, para apresentar dez obras na Feira de Arte Social de São Paulo (FASSP), com curadoria de Agnaldo Farias, antigo curador-geral da Bienal de São Paulo.“O centro britânico de São Paulo cede parte da galeria deles à ONG Vida-Casa de Apoio, que cuida de 180 crianças, sendo que essas crianças precisam de ajuda para continuar estudando”, contou a artista, explicando que expor em prol de uma causa solidária tornou este regresso ao seu país muito mais importante.Nesta exposição, Ângela Fernandes apresenta um conjunto de dez obras, complementado por um catálogo de 16 peças.Entre estes trabalhos, a artista destaca uma instalação de azulejos que funciona como ponte entre Portugal e o Brasil.“Trouxe os azulejos, que representam a minha nova paixão, que é Portugal. Fiz uma coleção em azul e branco, tudo em formato de árvores, que se chama ‘A Vida Secreta das Árvores’: as de Portugal em azul e branco, e as do Brasil em verde. Montei uma espécie de quebra-cabeça numa mesa no meio da exposição, e as pessoas podem movimentar as peças. Elas vão mexendo nessa minha dualidade de agora: Brasil, Portugal”, conta.Apresenta também pinturas realizadas nos Açores e uma tela pintada em São Paulo nos 15 dias que antecederam a abertura.Esta tela mostra árvores que representam os Açores e, por baixo, o subsolo com raízes. Segundo a artista, é a peça que melhor traduz a mensagem da exposição: a natureza continua viva sob o betão da cidade, “pronta para emergir”.Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição junta ainda as artistas Cássia Cola, Luciana Luchesi e Silvana Ravena.Em termos pessoais, este regresso e a exposição em São Paulo estão a ser vividos com grande emoção, sucesso comercial e reconhecimento crítico.Neste contexto, a artista revela que, depois de ter deixado São Paulo há seis anos para se radicar nos Açores, sentiu um grande nervosismo inicial ao rever o seu círculo social e profissional. A receção foi, no entanto, muito afetuosa, com os amigos e o público a acolherem a “nova Ângela” e a evolução do seu trabalho, influenciado pela ilha.Ângela Fernandes revela ainda que o facto de produzir arte no meio da “plataforma verde” dos Açores despertou especial encanto no público paulistano. Acima de tudo, o curador da exposição, Agnaldo Farias, e os seus professores ficaram impressionados com a técnica e a paleta de cores desenvolvidas pela artista para retratar a natureza.Por outro lado, a artista referiu que esta recetividade serviu para reforçar a sua convicção de manter a residência e o ateliê nos Açores, tendo inclusivamente impulsionado novos contactos e uma nova exposição já agendada para o próximo ano.“Foi uma volta de muito nervosismo, e também para eu ter certeza de que eu não quero deixar a minha ilha, não quero deixar o lugar onde eu vivo. Ela mudou o meu modo de pensar, o meu modo de lidar com a natureza. Mudou a forma como eu pinto.”A exposição, inaugurada no dia 17, está patente ao público no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo, no Brasil, até ao final deste mês.