ANEPC admite situação complexa na serra da Estrela e meteorologia desfavorável
16 de ago. de 2022, 14:16
— Lusa/AO Online
"Neste momento, a ocorrência
encontra-se ativa. É um incêndio bastante partido, com grande
potencialidade de ter novas aberturas e novas frentes", disse André
Fernandes.O comandante nacional fez um ponto de situação sobre os incêndios em Portugal na sede
da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em
Carnaxide, concelho de Oeiras (Lisboa), destacando o incêndio que
deflagrou no dia 06 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã, e se
alastrou para outras zonas da serra da Estrela.Reconhecendo
que as características da zona dificultam o combate, explicou que a
situação é complexa e que a prioridade é a estabilização do incêndio, um
trabalho que disse ser difícil também devido às previsões
meteorológicas desfavoráveis."A estratégia
que está definida é aproveitar as janelas de oportunidade existentes
para estabilizar a progressão do incêndio", afirmou, precisando que há
três frentes ativas que merecem especial preocupação.Ao
final da manhã estavam no terreno 1.049 operacionais, com 21 grupos de
reforço dos corpos de bombeiros, 160 operacionais da força especial de
proteção civil, 96 agendes das companhias da Guarda Nacional
Republicana.O combate está também a ser
apoiado por equipas do INEM, Instituto da Conservação da Natureza e das
Florestas, Cruz Vermelha Portuguesa e Afocelca, meios aéreos e máquinas
de rasto.Num balanço do dia anterior, o
comandante nacional referiu 44 missões de ataque inicial para meios
aéreos, 51 missões de ataque ampliado, quatro de coordenação aérea e
cinco de monitorização.“A noite correu
como estava planeado”, acrescentou André Fernandes, sublinhando que a
defesa perimétrica das aldeias foi um sucesso, bem como os primeiros
esforços de estabilização do incêndio durante a noite de segunda-feira.Até
ao momento, registaram-se 19 feridos ligeiros e três feridos graves,
nenhum dos quais em risco de vida, e danos em duas casas de primeira e
segunda habitações. De segunda-feira para hoje, tiveram de ser
deslocadas das suas casas 45 pessoas.Questionado
sobre críticas do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, que
defendeu que devem ser os bombeiros a tomar conta do combate inicial aos
incêndios, o comandante nacional disse apenas que “existe um sistema de
gestão de operações, devidamente implementado”.“Vamo-nos
focar naquilo que é importante, que é estabilizar o incêndio e garantir
a reposição das condições de segurança”, sublinhou André Fernandes, que
assegurou que está a ser aplicada toda a capacidade do dispositivo de
combate, havendo também um contacto permanente com a Agência para a
Gestão Integrada de Fogos Rurais.Sobre a
notícia de sete bombeiros que na segunda-feira estiveram incontactáveis,
o responsável desvalorizou a situação, afirmando que “não foi acionado o
mecanismo de emergência do rádio SIRESP” e que “não é anormal naquilo
que são as operações de combate”.Questionado
sobre a utilização de meios militares no combate, disse que no terreno
estão máquinas de rasto mobilizadas pelo exército.