André Ventura deixa liderança do Chega e convoca convenção para setembro
5 de abr. de 2020, 11:32
— AO Online/ Lusa
De acordo com a fonte, está marcada "para setembro" uma convenção nacional eletiva, na sequência da decisão do atual líder e deputado único."Ainda não me demiti, mas será feito para haver uma convenção eleitoral", disse à Lusa o presidente do Chega, remetendo mais pormenores, incluindo quando será oficializada a demissão, para um vídeo que será divulgado hoje, dirigido aos militantes e dirigentes do partido.Questionado sobre os motivos por que decidiu demitir-se de líder partido, André Ventura afirmou apenas que "será tudo explicado no vídeo" para que "os militantes saibam primeiro".A notícia foi avançada pelo jornal 'online' Observador, que cita fonte próxima de Ventura, e refere críticas ao facto de o deputado se ter abstido na votação da renovação do estado de emergência, visto que da primeira vez votou favoravelmente.O Chega foi oficializado como partido pelo Tribunal Constitucional a 09 de abril do ano passado e André Ventura, o rosto do partido desde a sua fundação, foi eleito presidente da Direção Nacional na primeira convenção nacional, em junho.Apesar de ser um defensor da declaração do estado de emergência para fazer face à pandemia de covid-19, e de no dia anterior ao debate parlamentar sobre o tema ter anunciado que iria votar favoravelmente a renovação, o deputado único absteve-se na votação que decorreu na quinta-feira na Assembleia da República.Durante o debate que antecedeu a votação, André Ventura criticou a possibilidade de libertação de reclusos das prisões portuguesas, advogando que a medida pode “gerar o pandemónio” e levar a uma “crise de impunidade e de criminalidade”."O que o Chega nunca vai aceitar e não poderá aceitar é a libertação de presos das nossas cadeias, por muito que nos digam que são medidas pedidas pela ONU [Organização das Nações Unidas], medidas de humanidade", vincou na altura.No mesmo dia, numa declaração aos jornalistas, o líder do Chega apontou que “esta foi uma das votações mais difíceis” em que participou.“Tendo a noção de que o Chega foi o primeiro partido a solicitar o estado de emergência e, tendo também a noção de que a grande maioria dos militantes, dos dirigentes, dos apoiantes do Chega quis e quer a manutenção do estado de emergência, há diferenças entre este decreto [presidencial] que chegou à Assembleia da República e o decreto anterior, uma vez que este expressamente abre a porta à libertação dos reclusos”, assinalou.Apontando ter noção de que o seu sentido voto “não é pacífico” e “é controverso” dentro do partido e “talvez seja incompreendido por um largo setor da sociedade portuguesa”, o deputado disse que “não se sentia bem” com a sua consciência se votasse favoravelmente um estado de emergência que previsse a libertação de “todo o tipo de presos”.“Não podemos viabilizar um decreto destes sem saber exatamente o que é que vai acontecer e foi por essa razão, única e exclusiva, que o Chega decidiu hoje não votar favoravelmente o estado de emergência”, justificou ainda na quinta-feira.