André Melo apresenta ‘Preocupa-me’ hoje na vaga

Hoje 10:04 — Susete Rodrigues

O espaço vaga, em Ponta Delgada, recebe hoje, pelas 21h30, a performance intitulada ‘Preocupa-me’ . Este projeto contou com uma residência artística com jovens adolescentes, que decorreu entre 1 de maio e 14 de junho, no âmbito de Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultural 2026.Ao longo desses encontros, André Melo foi trabalhando com os adolescentes várias temáticas, nomeadamente “como o próprio nome indica, o que é que lhes preocupa, seja a nível pessoal, seja a nível social, do mundo. Fomos trabalhando estas questões e, depois transformando aquilo que são palavras óbvias, aquilo que são preocupações óbvias, em momentos cénicos não tão óbvios”, disse em declarações ao jornal Açoriano Oriental.André Melo explica que o ‘Preocupa-me’ parte de uma base teatral, mas acaba numa performance. “É um projeto de performance que tem algum teatro pelo meio, mas é um projeto do aqui e agora, onde acontece muita coisa na hora. É pôr as preocupações destes jovens de uma forma performática e mais conceptual e mostrá-las a um público que esteja disponível para vir assistir e estar connosco hoje na vaga”.‘Preocupa-me’ conta com cinco intérpretes, com idades entre os 13 e 17 anos. Criado há algum tempo por André Melo e já apresentado em alguns sítios, por ser um projeto mutável, ou seja, “não tem um guião. A base é sempre a mesma, mas depois depende de grupo para grupo e depende de espaço para espaço. Como vamos fazer a apresentação na vaga, um espaço não convencional para apresentações e, como está lá patente a exposição ‘We build our language with rocks’, vamo-nos apropriar do espaço e da mostra para que ela faça parte da nossa performance e a nossa performance passe a fazer parte também da exposição”, disse para acrescentar que “vamos estar lá a ativar a exposição e por sua vez a exposição ativa o público e nós novamente”. Depois haverá também um “momento mais íntimo entre público e performers. Vai ser um momento para visitar uma exposição, perceber como é que ela funciona, perceber como é que performers habitam esta exposição, ouvir as temáticas da adolescência e vai ter muitos símbolos visuais e sonoros também”.Sobre a residência artística, André Melo descreve-a como  muito boa, salientando que “são jovens muito disponíveis, com muita vontade de experimentar e estão a dar um salto de confiança comigo, porque há coisas que eles nunca fizeram na vida, nem nunca tiveram grande contacto com esta parte da performance art”, pese embora ser, igualmente complexo trabalhar com adolescentes, porque “há dias que uns não podem aparecer, têm um teste, etc., mas o trabalho com a comunidade é isto, é aceitar que não são profissionais, são pessoas que têm uma outra vida e, às vezes, as coisas falham. Mas à parte destes pequenos pormenores, eles são incríveis, dizem sempre que vai correr bem”.