Anafre alerta para desequilíbrios na distribuição do IVA turístico nos Açores
26 de jan. de 2023, 16:30
— Lusa
“A
conjugação do critério da população com a média diária das dormidas
poderá ter como consequência um desequilíbrio agravado entre os
municípios mais populosos e com média diária de dormidas muito superior e
aqueles que não a têm”, afirmou hoje o coordenador regional dos Açores
da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Manuel António Soares,
numa audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos
Açores.O decreto legislativo regional
apresentado pelo Governo Regional propõe a atribuição de 0,35% da
receita total do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), que
constitui receita da Região Autónoma dos Açores, aos municípios do
arquipélago.O executivo prevê distribuir
25% desse montante “igualmente por todos os municípios” e os restantes
75% “de acordo com a respetiva população residente, acrescida da média
diária de dormidas” em alojamentos turísticos.Para
Manuel António Soares, o critério para a distribuição dos 75% da verba
pode dar origem a uma “discriminação entre os municípios” e “colocar em
causa o princípio da coesão territorial”.O
autarca propôs, por isso, a definição de um teto, de 80% ou outro
valor, para a atribuição de verbas aos municípios e a utilização do
valor sobrante na criação de um fundo para ajudar a desenvolver os
municípios com menor média diária de dormidas.“Deixando
intocável o critério da população residente, parece-nos que seria de
refletir de modo a corrigir o critério cumulativo da média diária de
dormidas”, apelou.Apesar de não ser
responsabilidade da Assembleia Legislativa, Manuel António Soares
reiterou um apelo aos municípios para que distribuam 30% das verbas que
receberem do IVA turístico pelas juntas de freguesia.Já
o vice-presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos
Açores (AMRAA) Alexandre Gaudêncio deu um “parecer favorável” à proposta
do executivo açoriano, com a qual disse concordar “na sua plenitude”.Segundo
o representante da AMRAA, está em causa um montante global de “cerca de
1,1 milhões de euros por ano”, em 2020 e 2021, sendo expectável que o
valor seja mais elevado nos anos seguintes.“Nunca
é suficiente para fazer face às nossas dificuldades, nem às nossas
solicitações, mas diria que é um valor simpático, atendendo a que até ao
momento não havia nada”, apontou, sublinhando que a Lei de Finanças
Locais, que prevê essa distribuição, foi publicada em 2013.Em
resposta, o deputado socialista Manuel Ramos alegou, no entanto, que a
participação das autarquias no IVA turístico só foi definida numa lei de
2018.Quanto à proposta da Anafre de
distribuição de 30% das verbas pelas juntas de freguesia, Alexandre
Gaudêncio alegou que a decisão “dependerá da autonomia de cada
município”, mas comprometeu-se a “sensibilizar” os autarcas na AMRAA.Questionado
pelo deputado socialista Carlos Silva sobre a estimativa de verba a
transferir e com que periodicidade durante o ano de 2023, o
subsecretário regional da Presidência, Pedro Faria e Castro, disse que
estas questões serão definidas num protocolo a estabelecer com a AMRAA.“Temos
dois anos, 2020 e 2021, em que já temos valores apurados. Aprovado este
decreto legislativo regional, iremos de imediato iniciar conversações
com a Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, no sentido
de definirmos como a região vai transferir esse dinheiro para os
municípios”, adiantou.Quanto ao facto de a
proposta não referir os estabelecimentos de alojamento local na alínea
que define o critério de distribuição de 75% do montante, também
apontado pelo PS, Faria e Castro explicou que serão utilizados para o
cálculo números do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA),
que contemplam as dormidas em alojamento local.“Se a assembleia entender que é preciso precisar, não haverá alteração no resultado final”, assegurou.