ANAF encara com naturalidade domínio luso nas contratações em 2022
30 de jan. de 2023, 09:56
— Lusa/AO Online
“Não
foi [uma surpresa], devido à legislação existente em Portugal, à
facilidade que os clubes têm de contratar atletas de várias
nacionalidades e ao impacto e qualidade que o próprio país tem como
grande vitrina que é. Muito mais numa época de Mundial, em que existia
uma grande expectativa face a Portugal. Do ponto de vista estratégico,
acaba por ser chamativo para os países menores em termos de projeção do
futebol colocarem os seus jogadores nessa montra que é Portugal”,
reiterou à agência Lusa Artur Fernandes.O
relatório global de transferências publicado pela FIFA
informa que “os clubes portugueses fizeram pela primeira vez mais
contratações do que qualquer outra associação”, enquanto o Brasil foi o
país que transferiu mais para fora, com 998 atletas.O
Brasil ‘enviou’ 338 jogadores para Portugal, o maior fluxo de
transferências entre dois países, bastante superior ao segundo mais
volumoso (166), precisamente em sentido inverso, que ajudou a fazer dos
clubes nacionais os quartos principais ‘exportadores’ no mundo, com 677
jogadores, atrás de brasileiros (998), ingleses (836) e espanhóis (778).“Temos
reparado que os emblemas portugueses se têm transformado cada vez mais
em SAD, que têm sido vendidas cada vez mais a novos investidores. Esta
necessidade de contratar e de vender muito e bem já não é tão somente
dos clubes, mas das SAD, que estão efetiva e culturalmente ligadas a
cidades e têm a sua história, mas também estão conectadas a empresas que
têm de fazer disto o seu negócio”, indicou Artur Fernandes.Essa
quantidade de vendas não tem reflexo proporcional no encaixe
financeiro, já que Portugal foi o quinto país que mais dinheiro recebeu,
com 533,2 milhões de euros (ME), valor convertido de dólares ao câmbio
de hoje, após França (680,9 ME), Alemanha (588 ME), Itália (568,2 ME) e
Inglaterra (552,3 ME), e o nono que mais pagou, com 160,6 ME.“Somos
um ótimo país, porque somos bons no futebol e sabemos promover,
trabalhar e vender, o que é algo muito bom. Estão de parabéns todos os
intervenientes e, em causa própria, os agentes, que têm sido muito
falados nas últimas semanas e merecem esta homenagem. Se há vendas, é
porque também as promoveram”, notou o líder da ANAF, ilustrando com a
presença lusa em duas das 10 movimentações mais valiosas de 2022.A
aquisição do uruguaio Darwin Nuñez pelo Liverpool valeu ao Benfica 75
ME, podendo atingir 100 ME, e só foi suplantada na transferência do
francês Aurélien Tchouaméni do Mónaco para o Real Madrid (80 ME fixos e
20 ME em variáveis), ambas no último verão.Já
o nono negócio mais volumoso foi protagonizado em janeiro de 2022 pelo
colombiano Luis Díaz, ao mudar-se do campeão nacional FC Porto para o
Liverpool, por 45 ME, num negócio que pode ascender aos 60 ME, com Artur
Fernandes a projetar casos similares.“É
uma tendência que continuará a existir nos próximos anos e ainda bem,
porque é sinal de que não só vamos recebendo os jogadores, como também
lhes conseguimos dar um encaminhamento, que, no fundo, é aquilo que o
futebol luso precisa e que os clubes e os futebolistas querem. Eles não
querem vir para ficar muito tempo em Portugal. Querem é servir os clubes
nacionais dentro da norma, mas, logo que haja possibilidade, seguirem o
seu caminho para outros campeonatos nos quais possam ter maior
projeção”, analisou.O ‘top 10’ das
transferências movimentou 12,5% do montante global despendido no ano
passado e seis delas foram realizadas por clubes localizados em
Inglaterra, país que se destacou como o que mais investiu no reforço dos
plantéis, ao desembolsar 2.022,8 ME.“Existe
de alguma forma uma maior preocupação em contratar bem, não só nas
posições da frente, como era uma tendência antiga, mas no meio e
maioritariamente atrás. Pode significar uma outra tendência da
construção do jogo e da mentalidade em relação àquilo que será o futebol
no futuro”, estimou o presidente da ANAF, frisando o aumento de 22% no
número de clubes envolvidos em contratações no futebol feminino, de 410
para 500.Depois de dois anos consecutivos
de queda nos gastos com transferências, 4.770 clubes de 182 associações
diferentes fizeram 20.209 negócios, que traduzem um acréscimo de 11,6%
face a 2021 e batem a fasquia de 2019, tendo movimentado quase 6.000 ME,
mas ainda longe do recorde fixado no último ano antes da pandemia de
covid-19 (6.761 ME).“Retoma gradual do
mercado? Penso que sim. Nem podia ser de outra forma, mas estou
convencido de que existiu alguma retração por causa de um Mundial2022
fora da caixa. Acho que muitos clubes deixaram alguma coisa por fazer em
agosto para atuarem agora. Não foi o mês de janeiro que estávamos a
contar, mas ainda pode acontecer algo nestes dias que faltam até ao
encerramento do mercado. De qualquer forma, acredito que essa tendência
será sempre de aumento de cinco a 10% por ano a todos os níveis”,
concluiu.