Anacom recebe 12 queixas no âmbito do Regulamento dos Serviços Digitais
25 de jun. de 2024, 16:45
— Lusa
Estes
processos incluem desde bloqueios de contas, inexistência de canais de
comunicação com as próprias plataformas, entre outros, explicou o
responsável num encontro com jornalistas na sede da Anacom, em Lisboa.Existem
"quatro pedidos de estatuto" para "sinalizador de confiança", onde se
inclui a Medialabs, do ISCTE, adiantou a presidente da Anacom, Sandra
Maximiano."Agora cabe-nos fazer a análise", acrescentou a responsável.A
Autoridade Nacional de Comunicações é a coordenadora dos serviços
digitais, tendo a presidente da entidade defendido a necessidade de mais
literacia no âmbito do regulamento dos serviços digitais (DSA, na sigla
inglesa).O Digital Services Act (DSA)
entrou em vigor em 17 de fevereiro deste ano e em Portugal a Anacom é a
autoridade competente para a supervisão do regulamento, em conjunto com a
Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e o IGAC - Inspeção
Geral das Atividades Culturais.Sandra
Maximiano referiu que o relatório do grupo de trabalho ja foi entregue
ao Governo, neste caso aos ministérios das Infraestruturas, da Cultura e
à tutela dos media, que está nos Assuntos Parlamentares, onde
identifica necessidades de alteração legal ou regulamentar e de 32
autoridades nacionais. "Tivemos 90 dias
para trabalhar na conformação jurídica", acrescentou, referindo que foi
feito um "trabalho muito exaustivo" e que agora "vai depender de toda a
dinâmica futura do digital".Para Sandra
Maximiamo, o Regulamento dos Serviços Digitais é um desafio, a que se
junta também o regulamento sobre a inteligência artificial (AI Act)."O
próprio modelo é muito semelhante ao do DSA, no sentido em que é
transversal", referiu, quando questionada sobre quem vai coordenar o
regulamento europeu de inteligência artificial."Temos que ter um coordenador para a IA, se iremos ter essa incumbência" ainda não há resposta sobre isso, acrescentou.Aliás,
este é um tema que também está em discussão nos outros países. Por
exemplo, a Irlanda tem um regulador com a incumbência específica dos
serviços digitais, o que abarca o AI Act.Atualmente,
"não está nada definido" em Portugal, mas a Anacom está preparada para
qual for a decisão, mas se esta for "o quanto antes" será "melhor para
todos".Quanto ao regime sancionatório do
Regulamento dos Serviços Digitais, Luís Alexandre Correia adiantou que
faz parte da proposta que foi entregue ao Governo.Sobre
o ponto de situação de Portugal na aplicação deste regulamento, Sandra
Maximiano foi perentória: "Não estamos assim tão maus" comparativamente a
outros Estados-membros."Temos feito uma
recuperação impressionante, estamos bem integrados no pelotão", reforçou
Luís Alexandre Correia, que também é diretor adjunto de informação e
inovação da Anacom.