ANAC chumba proposta da ANA para tarifas nos aeroportos e determina alterações
25 de out. de 2022, 11:15
— Lusa/AO Online
Num comunicado
publicado no seu ‘site’, a ANAC recordou que em 30 de setembro a ANA
“desencadeou, junto dos utilizadores, o processo de ‘Consulta das Taxas
Reguladas 2023’, visando a atualização das taxas aeroportuárias sujeitas
a regulação económica”, mas que, “após análise dos elementos enviados
pela ANA, verificou existirem contradições entre a proposta tarifária
submetida pela ANA às transportadoras aéreas e os pontos 8.10, conjugado
com o ponto 8.6. (Grupo de Lisboa), e 8.12 (aeroportos Porto e Faro),
todos do Anexo 12 do Contrato de Concessão de Serviço Público
Aeroportuário”.Por isso, a ANAC “solicitou
à Concessionária a fundamentação das opções tomadas em sede de Processo
de Consulta Pública sobre as Taxas Reguladas 2023, designadamente
quanto à conformidade da proposta tarifária com as disposições
contratuais previstas no Contrato de Concessão”.Depois
de “analisados os fundamentos invocados pela ANA, a ANAC considerou que
a proposta tarifária apresentada para 2023 (que contempla aumentos das
receitas da ANA nos aeroportos do Grupo de Lisboa acima da inflação 5,9
pontos percentuais, no aeroporto do Porto contempla um aumento global
médio das taxas 1,9 pontos percentuais acima da inflação e no aeroporto
de Faro contempla um aumento global médio das taxas em 2,71 pontos
percentuais acima da inflação) não cumpre as disposições previstas no
Contrato de Concessão”.Consequentemente,
“em 21 de outubro de 2022, o Conselho de Administração da ANAC deliberou
suspender de imediato o processo de consulta tarifária em curso” e
“proferir uma determinação” com obrigações para a concessionária.Assim,
“relativamente aos aeroportos do Grupo de Lisboa, a ANA deverá alterar a
sua proposta de taxas das Atividades Reguladas a vigorar em 2023, de
forma a assegurar que a RRMM (Receita Regulada Média Máxima) para 2023
não apresente um aumento superior a dois pontos percentuais acima da
inflação”.Paralelamente, no que diz
respeito “aos aeroportos do Porto e de Faro, a ANA deverá alterar a sua
proposta de taxas das Atividades Reguladas a vigorar em 2023, por forma a
acautelar que qualquer das referidas taxas não apresente um aumento
superior à inflação, devendo, ainda, no que se refere ao aeroporto de
Faro, explicitar as medidas a adotar já em 2023 para reforçar a sua
competitividade”.Por fim, “a ANA deverá
dar conhecimento aos utilizadores, no prazo máximo de 5 (cinco) dias
úteis a contar da notificação da decisão hoje notificada, retomando-se o
processo de consulta, com o prazo remanescente, acrescido de 10 dias
úteis”.Numa nota divulgada em 04 de
outubro, no mesmo dia em que a TAP criticou o aumento das taxas, a ANA -
Aeroportos de Portugal confirmou que "apresentou uma proposta de
atualização das taxas aeroportuárias reguladas com data de entrada em
vigar a 01 de fevereiro de 2023, seguindo o novo modelo previsto no
contrato de concessão para o período 2023 até ao final da concessão".De
acordo com a concessionária, "ao abrigo do modelo, que vigorou nos
primeiros 10 anos da concessão, a ANA fez reduções substanciais das
taxas praticadas durante o período da covid que resultaram na devolução
de um valor total de cerca de 54 milhões de euros aos seus clientes em
2020 e 2021".Além disso, referiu, "a ANA
devolveu mais de 13 milhões de euros às companhias aéreas referente a
acertos da receita cobrada em 2021, nomeadamente em Lisboa e em Faro".Assim,
destacou a gestora dos aeroportos, "durante o período pandémico as
medidas tomadas pela ANA" resultaram na redução de 26% em Lisboa, de 18%
no aeroporto do Porto e de 45% em Faro.Na
mesma nota, a empresa referiu que "os valores propostos para 2023
apresentam acréscimos por passageiro de 0,35 euros nos Açores, 0,79
euros na Madeira, 0,81 euros no Porto, 0,80 euros em Faro e 1,53 euros
em Lisboa", adiantando que "a proposta representa um aumento médio de
10,81% que segue genericamente o aumento da taxa de inflação e as regras
estabelecidas pelo Contrato de Concessão com o Estado Português".