Ana Gomes estranha silêncio de Marcelo sobre acordo entre Chega e PSD
Presidenciais
12 de nov. de 2020, 14:38
— Lusa/AO Online
"Estranho
que ainda não tenhamos ouvido [Marcelo Rebelo de Sousa sobre o acordo
parlamentar que viabiliza o governo nos Açores], mas não perco a
esperança de que o possamos ouvir nos próximos dias sobre esta matéria,
que é de tamanha importância para a saúde da democracia em Portugal",
disse Ana Gomes, que respondia a perguntas dos jornalistas após uma
visita ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Questionada
pela agência Lusa, a candidata presidencial considerou que o Presidente
da República deveria instruir o Representante da República para os
Açores, nomeado por Marcelo Rebelo de Sousa, para "fazer aquilo que é
indispensável - tornar público o acordo escrito que deu origem a toda
esta situação que é grave para os Açores e grave para a República".Ana
Gomes vê com "satisfação" o facto de haver "muita gente", quer no PSD
quer no CDS, a demarcar-se do acordo entre os sociais democratas e o
Chega, mas salientou que não compreende o silêncio de Marcelo Rebelo de
Sousa."Ouvimos frequentemente [o
Presidente da República] opinar sobre todas as matérias, incluindo sobre
aspetos do posicionamento do seu partido de origem, o PSD - ainda há
pouco tempo o ouvimos falar sobre a posição que o PSD deveria ter em
relação ao Orçamento do Estado. Pois, eu estou a aguardar ouvir o senhor
Presidente da República sobre esse acordo", acrescentou.Segundo
a candidata, é com "muita inquietação" que vê "um partido com sólidas
credenciais democráticas como o PSD, com uma génese até social
democrata, a abdicar daquilo que deveriam ser as linhas vermelhas e
fazer um entendimento com um partido racista, xenófobo,
anti-constituição, de extrema direita", no sentido contrário do que
fazem outros partidos da sua família europeia, que estabeleceram "uma
linha de demarcação dessas formações de extrema direita"."Ao
contrário do que se tem procurado dizer, de que é um acordo que está
contido aos Açores, obviamente não está contido. Os Açores são
território da República Portuguesa. Para além do mais, se um acordo
deste tipo é feito nos Açores pode ser replicado no continente e isso
ameaça a democracia", frisou.O líder do
PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, foi indigitado no sábado presidente do
Governo Regional pelo representante da República para os Açores, Pedro
Catarino.O PS venceu as eleições
legislativas regionais, no dia 25 de outubro, mas perdeu a maioria
absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.PSD,
CDS-PP e PPM, que juntos representavam 26 deputados, anunciaram esta
semana um acordo de governação, tendo alcançado acordos de incidência
parlamentar com o Chega e o Iniciativa Liberal (IL).Com
o apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a
coligação de direita soma 29 deputados na Assembleia Legislativa dos
Açores, um número suficiente para atingir a maioria absoluta.