ANA defende flexibilidade nos voos noturnos em Lisboa consoante especificações das companhias
17 de fev. de 2021, 17:17
— Lusa/AO Online
Thierry
Ligonnière falava numa reunião da comissão permanente de Ambiente e
Qualidade de Vida da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no âmbito da
petição “Aeroporto da Portela: queremos ser informados e ouvidos sobre
os seus impactos”, que deu entrada nos serviços em 2019.O
responsável explicou que a ANA não tem uma posição de proibição dos
voos noturnos no Aeroporto de Lisboa, justificando que essa é uma
decisão política.“A ANA diz que é preciso
fiscalizar. É preciso cumprir a regulamentação porque a ANA é
legalista”, afirmou, ressalvando, porém, que é necessário ter “em conta
as especificações de algumas companhias aéreas em relação aos seus
mercados, à sua organização operacional”.Segundo
Thierry Ligonnière “há companhias aéreas baseadas que precisam de
alguma flexibilidade em termos de voos noturnos”, uma vez que muitos
voos ficam condicionados por “fenómenos meteorológicos”.“Há
outras companhias que precisam de outra flexibilidade também […] porque
alimentam os primeiros ‘hubs’ de Amesterdão, Paris, etc”, acrescentou,
reforçando que para os passageiros apanharem as ligações da manhã a
partir desses aeroportos têm de partir de Lisboa “às cinco ou às seis”.Já para as companhias ‘low cost’, a flexibilização dos voos noturnos é “menos relevante”, indicou.Atualmente,
o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tem capacidade para cerca de
38 movimentos por hora, valor que poderá aumentar até aos 48, recordou o
CEO da ANA.Thierry Ligonnière sublinhou, contudo, que isso só acontecerá se houver licenciamento ambiental e o Governo autorizar. O
presidente da comissão executiva da ANA defendeu ainda a importância de
avançar com a construção do aeroporto do Montijo para aliviar a pressão
da infraestrutura aeroportuária da capital. Estima-se
uma “retoma do tráfego em 2024/2025 para o nível de 2019”, recordou,
salientando que, nessa altura, se não houver novo aeroporto, a cidade
vai voltar a sofrer com a pressão provocada pela atividade
aeroportuária.Sobre a quantidade de voos
em cada aeroporto, o presidente da ANA notou que “há uma possibilidade
técnica de desenvolver mais um ou outro em função daquilo que vai ser a
decisão política”.Thierry Ligonniére
referiu também que a ANA quer avançar com um programa de insonorização
já este ano nos prédios mais afetados pelo ruído provocado pelo
aeroporto, mas que a fonte de financiamento ainda está em discussão. Para
a ANA, disse, tendo em conta a regra do “poluidor pagador”, devia ser
criado um “fundo de mitigação dos impactos ambientais”.