ANA alerta que é preciso muita objetividade e pragmatismo na escolha
Aeroporto
9 de dez. de 2022, 15:25
— Lusa/AO Online
"É
preciso termos os pés muito bem assentes na terra para não chegarmos a
uma solução que depois não pode ser desenvolvida", alertou Thierry
Ligonnière, durante o 47.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa
das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorre em Ponta Delgada,
São Miguel, nos Açores. Questionado
sobre quando pensa poder ser vislumbrada a nova infraestrutura, o
presidente executivo (CEO) relembrou que o avançar do "novo aeroporto
vai depender da solução escolhida", mas alertou: "É preciso muita
objetividade na análise das diferentes opções que estão a ser avaliadas
pela comissão". A Comissão Técnica que irá
levar a cabo a avaliação ambiental estratégica para o novo aeroporto de
Lisboa vai estudar cinco soluções, podendo ainda propor mais caso
entenda."É preciso que haja uma resposta
objetiva, realista e pragmática a todas as perguntas que condicionam a
exequibilidade do projeto para não se acabar num impasse, na escolha do
projeto que afinal não tem capacidade de conseguir uma declaração
ambiental ou não é exequível em termos económicos porque o pacote a
financiar é demasiado elevado e os clientes não querem pagar as taxas
correspondentes a financiar a criação desta infraestrutura", reforçou o
CEO da empresa gestora dos aeroportos em Portugal. Sobre
a sua expectativa para o prazo, voltou a referir que "em função da
solução escolhida o tempo da execução não é o mesmo", acrescentando que
"os projetos aeroportuários são demorados", deixando também sobre este
tema um alerta. "Quanto maior o projeto – sobretudo os que não foram
estudados até agora – maior o tempo de implementação", disseAinda
assim, e a apesar de a ANA vir a afirmar que menos demorado e
economicamente mais barato e viável é a solução Montijo, Thierry
Ligonnière garante que "a ANA fará aquilo que o Governo decidir". "A
posição da ANA tem sido conhecida ao longo deste processo e agora
estamos, por vezes, a ser 'atacados' pelas posições assumidas
anteriormente. Nós fazemos o nosso trabalho. O nosso contrato de
execução diz para estudarmos a solução menos cara, de mais rápida
implementação, e aí fazemos o nosso trabalho, mas obviamente somos uma
concessionária de serviço público aeroportuário e quem decide não somos
nós, é o Estado português. Estamos disponíveis para concretizar essa
decisão", referiu ainda.Em causa nas cinco
possibilidades que estão em análise, está a solução em que o Aeroporto
Humberto Delgado fica como aeroporto principal e Montijo como
complementar, uma segunda em que o Montijo adquire progressivamente o
estatuto de principal e Humberto Delgado de complementar, uma terceira
em que Alcochete substitui integralmente o Aeroporto Humberto Delgado,
uma quarta em que será este aeroporto o principal e Santarém o
complementar e uma quinta em que Santarém substitui integralmente
Humberto Delgado. "Portanto, que o
trabalho seja feito, seja feito rapidamente, com pessoas que já tiveram
oportunidade na vida real de fazer esse tipo de projetos, apostando o
seu dinheiro – estou a falar de bancos que fizeram o desenvolvimento de
projetos de aeroportos, que tiveram que fazer uma aposta –, porque no
final isto são modelos financeiros, são projeções de tráfegos, é a
possibilidade de conseguir uma declaração ambiental, e hoje há muito
mais consciência dos impactos ambientais para todos nós e para uma
grande parte dos observadores – da população em termos gerais (...)",
acrescenta o CEO da ANA.Thierry Ligonnière
lembrou ainda que para as populações no geral construir aeroportos de
raiz, em solos virgens, é uma situação "completamente extemporânea"."É
preciso termos os pés muito bem assentes na terra para não chegarmos a
uma solução que depois não pode ser desenvolvida", reforçou na
conclusão.