Ampliação do quartel nas prioridades do novo comandante dos bombeiros do Corvo
Hoje 12:21
— Lusa/AO Online
O
comandante, de 49 anos, que em termos profissionais é agente de
informação de tráfico de aeródromo, está a desempenhar funções desde
janeiro e ocupa o cargo que anteriormente era desempenhado pelo atual
presidente da Câmara Municipal, Marco Silva, eleito nas autárquicas de
outubro de 2025.Em declarações à agência
Lusa, João Machado disse que aceitou o desafio pela vontade de “fazer um
pouco mais” pelos ‘soldados da paz’ da ilha do Corvo e faz da ampliação
do quartel uma das prioridades.Segundo o
responsável, o quartel está situado no edifício da aerogare da SATA
Gestão de Aeródromos e foi elaborado um projeto em 2019 que contemplava a
ampliação da aerogare e das instalações dos ‘soldados da paz’.O
projeto “foi aceite por todos” e, em 2022, foi lançado o concurso
global para a execução da empreitada, pelo valor global de 3,6 milhões
de euros, mas “ficou deserto”.“Até hoje,
não temos nenhuma informação sobre o que é que se passou, se vai ser
alterado o projeto, se não vai ser alterado. Aliás, já ouvimos muitas
versões e não conseguimos perceber qual delas é verdadeira”, disse João
Machado.E concretizou: “A última versão
que eu ouvi, e falando já com algumas pessoas responsáveis do Governo
[Regional], é que, em princípio, vai-se lançar novamente o mesmo
projeto, agora este ano, em 2026”.“Vamos
esperar que sim. Era ouro sobre azul, era uma mais-valia para podermos
ter um quartel que englobe camaratas e balneários masculinos e
femininos, que este [o atual] não tem, e também que englobe as nossas
garagens”, disse.O segundo objetivo do
comandante dos voluntários da ilha do Corvo passa pela realização de um
curso para formação de novos elementos, que poderá iniciar-se em maio,
visto que o corpo de bombeiros tem atualmente cerca de uma dezena de
operacionais.Em relação a meios, adiantou à
Lusa que a instituição também necessita de um novo autotanque de
combate a incêndios e de uma nova ambulância de transporte de doentes
para substituição dos veículos atuais. No
entanto, como o novo autotanque de combate a incêndios também deverá
atuar na parte antiga da vila, caracterizada por ruas estreitas, foi
acordado com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores
(SRPCBA) adquirir uma viatura “adaptada à realidade da ilha”.Em
relação a preocupações operacionais, o “principal foco” tem a ver com
doentes e emergências médicas e o segundo está relacionado com o aumento
do turismo.“O que acontece aqui [na ilha
do Corvo] no turismo, como tem acontecido noutras ilhas, […] [é que] nós
estamos a receber sensivelmente 50% da população a mais todos os dias,
das visitas regulares que existem de [barcos] semirrígidos [que se
deslocam] das Flores para o Corvo”, adiantou João Machado.Segundo
o comandante, chegam à ilha - que tem pouco mais de 400 habitantes -,
entre 150 a 200 pessoas diariamente e, destas, cerca de 30 a 40% “vão
fazer o trilho do Caldeirão”.“O que
acontece muitas vezes - já aconteceu duas vezes no último ano -, é as
pessoas se magoarem nos trilhos, se magoarem lá em baixo [no interior da
caldeira de colapso vulcânico, com 2,3 quilómetros de diâmetro e 320
metros de profundidade], e depois ser muito difícil trazer as pessoas cá
para cima”, acrescentou.Devido a estas
situações, a Câmara Municipal já tinha oferecido à Associação
Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ilha do Corvo uma moto quatro e
uma viatura de desencarceramento e a corporação tenciona aumentar o
número de voluntários com o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro
(TAS).Em dezembro de 2025, a presidente
da direção dos bombeiros do Corvo, Vera Câmara, também referiu à Lusa a
necessidade da ampliação do quartel e da substituição do autotanque de
combate a incêndios, que “já tem alguns furos”.A
dirigente salientou ainda que a instituição pretendia promover este ano
uma escola de formação para novos elementos, “mais de 20 anos” após a
realização da última.