Amnistia Internacional quer suspensão do Mundial na Arábia Saudita
11 de nov. de 2024, 11:09
— Lusa/AO Online
As conclusões
surgem em novo relatório hoje publicado pela AI, sob o título High
Stakes Bids: Dangerously Flawed Human Rights Strategies for the 2030 and
2034 FIFA World Cups (Há muito em jogo: Falhas perigosas nas
estratégias de direitos humanos para os Campeonatos do Mundo de Futebol
de 2030 e 2034)", com a organização a apontar para um custo real e
humano nessa atribuição.“Haverá um custo
humano real e previsível se o Campeonato do Mundo de 2034 for atribuído à
Arábia Saudita sem a obtenção de garantias credíveis de reforma. Os
adeptos serão vítimas de discriminação, os residentes serão despejados à
força, os trabalhadores migrantes serão vítimas de exploração e muitos
morrerão. A FIFA tem de suspender o processo até que estejam em vigor as
devidas proteções dos direitos humanos, para evitar o agravamento de
uma situação já de si terrível”, afirmou Steve Cockburn.O
diretor dos Direitos Laborais e do Desporto da Amnistia Internacional
voltou a levantar todas as bandeiras vermelhas a uma nova organização de
um Mundial no médio oriente, depois da organização em 2026 no Qatar.Cockburn
contextualizou o cenário que se pode esperar, num país que pretende
construir ou renovar 11 estádios, mais de 185.000 quartos em hotéis
adicionais e com grandes projetos de engenharia, que incluem ligações e
transportes a novas cidades.“A Arábia
Saudita necessitará de um grande número de trabalhadores migrantes para
concretizar as suas ambições para o Campeonato do Mundo, mas não há
compromissos para reformar o sistema explorador de patrocínio ‘Kafala’
[sistema que exige que todos os trabalhadores não qualificados tenham um
patrocinador no país, geralmente o seu empregador, que é responsável
pelo seu visto e estatuto legal], estabelecer um salário mínimo para os
não-cidadãos, permitir-lhes aderir a sindicatos ou introduzir novas
medidas para evitar a morte de trabalhadores”, especificou.O
responsável da AI sublinhou ainda a ausência de liberdade de expressão
no país do golfo, onde as pessoas são detidas por décadas apenas por se
manifestarem, a ausência de um plano de alojamento para compensar
despejos forçados ou ainda a criminalização em matéria e relações ou
direitos dos LGBTI.Situações que levam o
novo relatório da Amnistia a apontar que os riscos são tão elevados que a
organização do Mundial2024 no país irá, provavelmente, conduzir "a
violações graves e generalizadas dos direitos humanos".A
confirmação da Arábia Saudita como anfitriã do Mundial2034 deverá
acontecer no Congresso da FIFA de 11 de dezembro de 2024, juntamente com
a atribuição da coorganização de 2030 a Portugal, Espanha e Marrocos.