Amnistia Internacional pede plano conjunto para garantir justiça às vítimas de crimes de guerra
Ucrânia
22 de fev. de 2023, 07:38
— Lusa/AO Online
A secretária-geral da AI, Agnès Callamard, sublinhou em comunicado a necessidade de adotar medidas com rapidez. “Enquanto
as Forças Armadas russas parecem estar a intensificar a sua ofensiva na
Ucrânia, o compromisso de prestar contas a todos os responsáveis de
violações dos direitos humanos e crimes de guerra é mais urgente que
nunca”, indicou. “Vamos dizê-lo
claramente: as mãos de Vladimir Putin [Presidente russo] e das suas
Forças Armadas estão manchadas de sangue”, acrescentou a
secretária-geral. A AI detetou crimes de
guerra e violações do direito internacional humanitário cometidos pela
Rússia, onde se citam execuções extrajudiciais, ataques mortais contra
infraestruturas civis e locais de refúgio, deportações e transferência
forçada de civis e homicídios ilegítimos em grande escala cometidos
através do bombardeamento de cidades. A
prioridade consiste em resolver os pedidos de justiça do povo da
Ucrânia, que Callamard diz ter “sofrido horrores inimagináveis nesta
guerra de agressão durante os últimos 12 meses”, para acrescentar que
“numerosos seres humanos ficaram reduzidos a danos colaterais”. A
dirigente da AI revelou que esta justiça e a compensação das vítimas
passa por considerar a criação de novos mecanismos, nacionais e
internacionais, para reforçar a resposta da justiça perante os crimes
desta índole em todo o mundo. Também passaria por considerar a
ratificação do crime de agressão, que de momento o Tribunal Penal
Internacional não pode investigar. Callamard
pretende que os responsáveis por estes crimes de guerra compareçam
perante a justiça, incluindo altos cargos militares e dirigentes civis. O
apoio humanitário também será necessário para concretizar estes
objetivos, e a AI recordou a necessidade de garantir transparência,
eficácia e sensibilidade face às vítimas. A
AI considerou positiva a decisão de março de 2022 do Conselho de
Direitos Humanos da ONU de criar uma comissão de investigação
independente sobre a Ucrânia, mas sublinhou ser imprescindível que
nestes processos se tenham em conta, para além dos “autores diretos de
baixo nível”, as pessoas com cargos mais elevados na cadeia de comando.