Amnistia Internacional apela ao fim da pena de morte no Irão após nova execução
13 de dez. de 2022, 17:00
— Lusa/AO Online
"Instamos a comunidade
internacional a tomar todas as medidas necessárias para pressionar as
autoridades iranianas a pôr fim às execuções e anular as sentenças de
morte", disse Diane Eltahawy, diretora adjunta da Amnistia Internacional
para o Médio Oriente e Norte de África.O
Irão executou, na segunda-feira, o segundo detido numa onda de protestos
antigovernamentais, Majidreza Rahnavard, acusado de esfaquear até à
morte dois membros das forças de segurança e ferido quatro, no dia 17 de
novembro, em Mashhad, no nordeste do país."A
Amnistia Internacional insta ainda todos os Estados a exercerem
jurisdição universal sobre todos os funcionários razoavelmente suspeitos
de responsabilidade criminal por crimes de direito internacional e
outras violações dos direitos humanos", diz Eltahawy. "A
execução arbitrária de Rahnavard, menos de duas semanas após a sua
única audiência em tribunal, revela a extensão da agressão das
autoridades iranianas ao direito à vida e o seu desrespeito por manterem
sequer uma fachada de processos judiciais significativos",
refere Eltahawy.O julgamento de Rahnavard
consistiu em apenas uma sessão perante um "Tribunal Revolucionário" em
Mashhad, província de Khorasan-e Razavi, a 29 de novembro, onde foi
acusado de "inimizade contra Deus" (moharebeh).Antes
da sua sessão no tribunal, os meios de comunicação social estatais
transmitiram vídeos do Rahnavard a fazer "confissões" forçadas, onde se
via o seu braço esquerdo fortemente enfaixado, levantando sérias
preocupações pelo facto de ter sido sujeito a tortura.A
Amnistia Internacional identificou 20 pessoas em risco de execução em
ligação com os protestos, entre elas 11 indivíduos condenados à morte,
três indivíduos que foram submetidos a julgamentos e que estão em risco
de serem condenados ou podem já ter sido condenados à pena capital, e
identificou também seis indivíduos que podem estar à espera ou a ser
julgados sob acusação idêntica.Milhares de
pessoas foram presas e indiciadas, o que suscita o receio de que muito
mais pessoas possam enfrentar a pena de morte devido a protestos. O
procurador-geral de Teerão, Ali Alqasi Mehr, decretou hoje sentenças de
prisão contra 400 "desordeiros", dos quais 160 foram condenados a penas
entre 5 e 10 anos de prisão; 80 a entre 2 e 5 cinco anos e outros 160 a
até 2 anos de encarceramento, segundo a agência oficial IRNA.Mehr também indicou que outras 70 pessoas foram condenadas a pagar multas, embora não tenha explicado o valor.Os
protestos foram desencadeados pela morte da jovem curda Mahsa Amini, em
meados de setembro, sob detenção pela chamada 'Polícia da Moralidade'
devido a uso incorreto do véu islâmico.