Amigos dos Açores sugerem multa para quem tomar banho nas lagoas
1 de set. de 2025, 09:08
— Rui Jorge Cabral
Foi uma situação que chocou a ilha de São Miguel. Em apenas 12 dias
morreram duas pessoas afogadas na Lagoa das Sete Cidades, apesar da
proibição dos banhos prevista nos planos de ordenamento das bacias
hidrográficas. E se o Governo Regional reagiu prontamente, reforçando a
sinalização a informar da proibição dos banhos nas lagoas, para a
Associação Ecológica Amigos dos Açores dever-se-ia ir mais longe e criar
mesmo um regime sancionatório associado a uma coima para os infratores. Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da direção da
Associação Ecológica Amigos dos Açores, Diogo Caetano, lembrou que nos
últimos anos “principalmente após o encerramento temporário das zonas
termais em 2024, começámos a verificar um número significativo de
turistas a tomar banho nas lagoas das Furnas e das Sete Cidades, sem
evidente ação das autoridades. Tentámos alertar o Governo Regional
através do Conselho Regional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável,
tendo-nos sido referido que não era permitido tomar banho mas, no
entanto, não existia um regime sancionatório com coima associada
aplicável aos banhistas”.Acresce, ainda, que devido à “falta de
rotinas de vigilância eficazes e de um sistema de multa associado, mas
também pela inexistência de informação pública que esclareça que, devido
à eutrofização, os banhos nas lagoas são um risco para a saúde pública
devido, entre outros, à presença de cianobactérias”, a ideia da
possibilidade dos banhos nas lagoas entre locais e turistas vai-se
“normalizando”.Por isso e para Diogo Caetano, seria importante tomar
medidas mais restritivas até porque, questiona, “eventualmente, poderá
haver alguns locais que possam julgar que se os nossos visitantes podem
muitas vezes tomar banho nas lagoas, porque é que nós não o poderemos
fazer também”? O presidente da Associação Ecológica Amigos dos
Açores conclui afirmando que, sem querer ser alarmista, “as pessoas
deveriam ser mais informadas e sensibilizadas para os perigos e riscos
de tomar banho em massas de água, muitas delas eutrofizadas”,
funcionando um regime sancionatório para essas situações como algo que
poderia contribuir para “legitimar a intervenção dos próprios vigilantes
nestas situações, com a punição dos infratores”.