Ambientalistas querem ‘provas’ de que a incineradora irá cumprir metas de reciclagem
22 de jan. de 2021, 11:08
— Carolina Moreira
O desafio do movimento, representado pelas associações ARTAC, Amigos dos
Açores, ZERO e Quercus - Núcleo de São Miguel, surgiu após uma reunião
com o secretário regional do Ambiente e das Alterações Climáticas,
Alonso Miguel, na qual os ambientalistas advogaram que “existem
alternativas ao projeto da Musami”.“O avanço da incineradora
constitui um retrocesso em termos ambientais, porque é um claro entrave
às políticas de redução e reciclagem e porque dá origem a resíduos
perigosos e emissões poluentes, afetando a saúde e qualidade de vida da
população e contribuindo para o agravamento das alterações climáticas”,
salienta o movimento. Em comunicado, os ambientalistas explicam que,
“tendo em conta a atual produção de resíduos urbanos no arquipélago, a
concretização do projeto Ecoparque de São Miguel, aliada à já existência
de uma unidade de incineração na ilha Terceira, levaria à
impossibilidade dos Açores cumprirem as metas de preparação para
reutilização e reciclagem de 55% em 2025, 60% em 2030 e 65% em 2035, as
quais o atual Governo dos Açores pretende cumprir, tal como é referido
no seu Programa de Governo”.Na ocasião, o secretário regional Alonso
Miguel garantiu que o objetivo do executivo é “encontrar uma solução
eficiente para a gestão de resíduos em São Miguel, em que todas as metas
sejam cumpridas”.Contudo, o movimento realça que o governante
referiu que a Musami garantiu ao executivo que irá cumprir as metas de
reciclagem, mas “não esclareceu de que forma nem apresentou dados que o
comprovem”. “A AMISM e a MUSAMI movimentam dinheiros públicos e, em
democracia, é fundamental que haja o esclarecimento dos cidadãos e
transparência nos processos”, afirma.Por esse motivo, os
ambientalistas consideram que o Governo Regional tem a “obrigação de
condicionar a gestão de resíduos nos sistemas das várias ilhas, de forma
a garantir o cumprimento integral das diretivas europeias”, destacam na
nota. Segundo o movimento, o secretário regional mostrou-se também
“disponível para avaliar” um plano a apresentar pelo Movimento “Salvar a
Ilha” que “garanta o cumprimento da hierarquia da gestão de resíduos e
das metas de reciclagem, bem como o fomento da economia circular em todo
o arquipélago”.