Ambientalistas queixam-se ao Governo e Comissão Europeia da incineração em São Miguel
7 de out. de 2021, 10:51
— Lusa/AO Online
“O Governo
Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Ambiente e
Alterações Climáticas, prepara-se para licenciar o projeto de
incineração de resíduos urbanos de São Miguel, apesar de este projeto
não ter cumprido as condições exigidas na Declaração de Impacte
Ambiental (DIA) emitida na sequência do processo de Avaliação de Impacte
Ambiental”, refere em nota de imprensa o movimento, composto pelas
associações ambientais Zero, Amigos dos Açores, Quercus e ARTAC.As
associações referem que a Musami, a empresa responsável pela gestão dos
resíduos urbanos de São Miguel, “tinha de preparar para reutilização e
reciclagem 50% dos resíduos urbanos da ilha em 2020, o que não foi
cumprido, tendo apenas atingido o valor de 32,6%”.O
movimento diz que “já alertou, no passado, as autoridades ambientais da
Região Autónoma dos Açores para esta ilegalidade”, sem obter resposta
até hoje, pelo que entende que “estas entidades pretendem mesmo
licenciar este projeto de forma ilegal”.“Face
a esta situação, que coloca Portugal na rota do incumprimento da
legislação comunitária sobre Avaliação de Impacte Ambiental, o movimento
alertou hoje o ministro do Ambiente e da Ação Climática, assim como a
Comissão Europeia, para esta grave possibilidade”, indica.Para
os ambientalistas, a aprovação do projeto da incineradora de São
Miguel, “a confirmar-se, cria um precedente extremamente perigoso para a
aplicação da legislação sobre Avaliação de Impacte Ambiental em
Portugal”.Em 2016, a Associação de
Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por unanimidade, avançar com a
construção de uma incineradora de resíduos, orçada em cerca de 60
milhões de euros.O contrato entre a
italiana Termomeccanica e a MUSAMI – Operações Municipais do Ambiente
para a construção, num investimento de 58 milhões de euros, foi assinado
em fevereiro, apesar das contestações judiciais por parte de
associações ambientalistas.Em maio, o
secretário do Ambiente e Alterações Climáticas do Governo dos Açores,
Alonso Miguel, disse que o executivo “não tem qualquer intenção de
interferir” nas competências dos municípios, a propósito desta obra.