Alunos sem professores aumentaram para mais de 158 mil em janeiro
Hoje 15:42
— Lusa/AO Online
“Comparámos
o que se passa nas escolas agora com a realidade vivida há um ano e
verificámos que aumentaram o número de horários e de horas a concurso em
contratação de escola, assim como há mais alunos afetados”, contou à
Lusa José Feliciano Costa, um dos secretários-gerais da Federação
Nacional dos Professores.Quando a reserva
de recrutamento nacional já não tem docentes disponíveis, os diretores
recorrem à contratação de escola e, no mês passado, havia 38,3% mais
horários a concurso: Passaram de 1.557 em janeiro de 2025 para 2.153
este ano, segundo dados da Fenprof.Também
aumentaram quase 40% as horas a concurso, passando de cerca de 28 mil
para quase 40 mil, acrescentou José Feliciano Costa.Perante estes números, a Fenprof estima que, no mês passado, a falta de professores tenha afetado 158.130 mil alunos.“São
mais 28,4% do que em janeiro do ano passado, quando estimámos que
afetava cerca de 123 mil alunos”, sublinhou o responsável em declarações
à Lusa.Para a Fenprof, os problemas nas
escolas têm-se agravado porque o Governo continua a adiar medidas
importantes, como a criação de um novo Estatuto de Carreira Docente
(ECD) mais atrativo.José Feliciano Costa
lembrou que a falta de professores não é um problema exclusivo da
escola pública, afetando também o ensino privado e o setor social, onde
muitas vezes os salários são mais baixos, as carreiras mais longas, os
horários sobrecarregados e os vínculos precários.“A
degradação das condições de trabalho nestes setores tem levado muitos
docentes a abandonar a profissão ou a procurar colocação na Escola
Pública, agravando a instabilidade pedagógica e a dificuldade na
contratação de professores qualificados”, alertou a Fenprof, que este
mês vai percorrer o país numa caravana nacional.A
Fenprof vai atravessar o país entre 19 de fevereiro e 4 de março com o
lema “Somos professores, damos rosto ao futuro”, para dar visibilidade à
falta de professores, ao envelhecimento da profissão docente e a outros
problemas que afetam a profissão.A
caravana começa a 19 de fevereiro no Porto e terminará em Lisboa, a 4 de
março, às 15:00, com uma concentração no Largo Camões.Em
dez dias de caravana serão apontados os problemas locais concretos e
exigidas soluções, envolvendo os professores, as comunidades educativas e
as populações locais, nos 18 distritos do continente, nas nove ilhas da
Região Autónoma dos Açores e em oito concelhos da Região Autónoma da
Madeira.