Alunos na EBI das Capelas reclamam obras prometidas pelo Governo antes do início do ano letivo
2 de nov. de 2017, 20:06
— Lusa/AO online
"Estamos
fartos de promessas e eles [governantes] nunca fazem nada, é sempre a
mesma coisa. As salas ficam todas molhadas, o ginásio também não tem
condições nenhumas para nós fazermos educação física, está sempre tudo
molhado, podemos até nos magoar também, é uma vergonha (...) Nós também
temos direito, não são só as outras escolas que têm direito", adiantou Erica Costa, aluna do 8.º ano. Segundo os alunos, o
problema "agudizou-se" na semana passada depois de vários dias a chover
em que quase sempre foram para as aulas molhados, já que a escola não
tem cobertura para se deslocarem entre as salas de aula. "Não
conseguimos ir para as aulas secos, estamos sempre todos molhados, a
escola é uma piscina autêntica", disse a aluna Ana Pimentel, que garante
que os alunos "vão manter o protesto até terem condições". Também
alguns pais marcaram presença no protesto, lembrando que se "aguarda
por uma escola nova desde 2007" nas Capelas, costa norte da ilha de São
Miguel, e lançam o convite a Vasco Cordeiro, presidente do Governo
Regional dos Açores, para que visite a escola e veja as condições "com os próprios olhos". "O
senhor presidente que venha cá acima explicar a esses miúdos porque é
que têm de secar a roupa várias vezes no corpo e porque é que têm de ter
essas péssimas condições e coabitar com ratazanas e com água, com poços
de água, isto é uma piscina náutica aqui quando chove", disse Paula
Leite, mãe de uma aluna naquela escola. A representante dos pais estende o convite a "outros membros do Governo". "Eu
gostava de apelar e exigir, se calhar, como nós é que pagamos os
salários deles, aos membros do Governo Regional, que venham matricular
os filhos aqui, porque os meninos do pessoal do Governo Regional estão
nos colégios privados. Mais uma vez o Governo falhou", acusou Paula
Leite. A falta de condições e de segurança da Escola Básica
Integrada das Capelas motivaram no ano letivo 2017/2018 outras
manifestações, sendo que o problema é muito anterior a isso, recorda o
ex-presidente do conselho executivo da escola até 2014, referindo que "a
discriminação nas Capelas continua". "Foi-nos prometido uma
escola nova em 2007, no ano de 2015 arranjaram uma artimanha para dizer
que já não era uma escola nova, mas uma escola remodelada e para uma
escola que era urgente fazer uma remodelação já estamos há dois anos à
espera, neste cenário que é impensável continuar, tem de haver uma
resposta imediata", afirmou Jorge Pinheiro. O professor de
educação física, que esteve dezasseis anos à frente da direção da EBI
das Capelas disse ainda "não compreender" porque é que vão "remodelar
uma escola gastando mais de 10 milhões de euros quando uma escola nova
custaria 13 ou 14 milhões no máximo". O secretário regional da
Educação adiantou esta tarde aos jornalistas, numa iniciativa em Vila
Franca do Campo, que "a obra da escola das Capelas é a próxima a ser
iniciada" sem, no entanto, referir-se a uma data específica. "Se
não houver embaraços, por exemplo, reclamações de concorrentes ou
pedidos de esclarecimento do Tribunal de contas, eventualmente na
transição de 2017 para 2018", disse Avelino Meneses. O
governante lembra que o "conselho executivo da Escola das Capelas" tem
conhecimento do estado e dos procedimentos que estão em curso, admitindo
que "apanharão chuva por muito pouco tempo mais". "Neste
momento, o júri última o relatório preliminar que será sujeito a uma
audiência prévia, será depois convertido em relatório final que
permitirá a adjudicação, a assinatura do contrato e o envio para
tribunal de contas para obtenção do visto. Essa será a última etapa
antes da consignação da obra e do início dos trabalhos", disse.