Alunos do ensino superior relatam desconforto térmico
30 de nov. de 2024, 19:08
— Lusa
As respostas de 848 estudantes
das universidades e politécnicos das regiões Norte, Centro, Alentejo e
da Área Metropolitana de Lisboa demonstraram a pobreza energética
nacional mas de forma mais agravada, segundo João Pedro Gouveia,
responsável pela investigação publicada esta semana na revista académica
'Energy Research & Social Science'. As
condições de alojamento da maioria dos estudantes, muitos em
arrendamentos precários, edifícios envelhecidos com fraco desempenho
térmico, sem equipamentos de aquecimento e refrigeração ou dinheiro
disponível para despesas com energia, são fatores que contribuem para o
desconforto térmico percebido, segundo os investigadores.Os
deslocados, comparados com os estudantes locais, relataram níveis de
desconforto térmico ainda superiores, por tenderem a residir em
edifícios mais antigos e com mais problemas estruturais, quando
comparados com estudantes locais com melhores condições construtivas e
equipamentos energeticamente mais eficientes.Em
Portugal as condições de vida dos estudantes deslocados, especialmente
aqueles com limitações financeiras, tornaram-se cada vez mais precárias
devido às crescentes pressões no mercado imobiliário.No
estudo, os estudantes deslocados destacaram-se como um grupo
excecionalmente vulnerável, fortemente dependente do setor de
arrendamento privado, com controlo limitado sobre os serviços de energia
e categorizados como utilizadores de energia de difícil acesso.Os
deslocados do Alentejo emergiram como a população potencialmente mais
vulnerável à pobreza energética dentro da amostra de respostas,
enfrentando condições de construção mais antigas e problemas mais
estruturais. Apesar deste desconforto
generalizado e da potencial vulnerabilidade à pobreza energética, os
estudantes relataram um baixo impacto na sua educação e saúde, bem como
limitações na aquisição de bens e serviços no pagamento das contas
domésticas relacionadas com a energia. Este
baixo impacto pode ser atribuído à falta de consciência das
consequências de tal desconforto ou à sua normalização, segundo o
investigador, uma vez que muitos alunos poderão desconhecer o conceito
de pobreza energética e respetivas consequências na saúde e no
desempenho académico.Reconhecendo essa
negligência dos estudantes e a sua falta de autoidentificação como um
grupo vulnerável à pobreza energética, os autores do estudo pretendem
sublinhar a urgência de reorientar a investigação e a atenção política
na qualidade inferior da habitação estudantil. Segundo
o investigador é preciso um olhar “a sério” para o alojamento dos
estudantes e uma ligação às universidades e politécnicos que faculte
mais diagnósticos sobre a qualidade da habitação e da forma como vivem,
procurando soluções que deem condições dignas aos estudantes.